quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A Menina No Ônibus Lendo Capitães Da Areia



Steve Green é um dos maiores embustes da música Cristã Contemporânea. Faz sempre os mesmo discos com a mesma estrutura, as musicas são todas iguais, enfim, uma chatice acachapante. No entanto, toda a mesmice de Green não o impediu de lançar uma pequena obra prima chamada "The Mission". Um único álbum que presta e pronto, nada mais, nada além.

Jorge Amado foi um  escritor Brasileiro que só sabia falar sobre a Bahia. Não seria algo ruim se soubesse fazer isso de diferentes formas, se cada livro seu fosse um deleite e não uma chatice sem fim. No entanto em um país onde as pessoas são pouco afeitas a leitura, Amado virou gênio. (Há se as pessoas conhecessem o outro Jorge, o Luís Borges, o Argentino, dai saberiam o que é ótima literatura, literatura para deleite de alma e coração. Mas verdade seja dita, Jorge Amado assim como Steve Green escreveu uma pequena obra prima. A dele, chama-se Capitães Da Areia.

Não que seja o livro definitivo da vida de qualquer pessoa, mas tem lá as suas qualidades, uma narrativa palatável e personagens memoráveis.Um bom livro no  frigir dos ovos.

Hoje, vindo para o trabalho no ônibus flagrei uma menina, uma adolescente  ou pouco mais que isso lendo Capitães da Areia. Fiquei arrepiado e feliz. Para mim, foi como ver uma flor em meio a pedras e areia, resistindo bravamente em ser bela mesmo sem chuva. Olhei para os lados, todas as pessoas com seus celulares algumas com fones, outras sem, mas todas com seus celulares no whats  (o dia que eu chamar de zap, meu próximo passo será suicidar-me) ou no facebook, vendo memes tolos e sem sentido ou conversando conversas em sua maioria frívolas e sem necessidade. Ver a menina ali, compenetrada, lendo Capitães da Areia me fez ver que nem tudo esta perdido em um mundo que esta perdido.

Exagero meu? De forma alguma! A única forma possível para se livrar da ignorância é a leitura. A leitura redime seja a que tempo for todo e qualquer traço de estupidez, nos livra de pensamentos pequenos porque expande exatamente a forma de pensar e se relacionar com o mundo e sua sutilezas. A leitura  te mostra que pessoas pensam diferente de você e isso não é mal, te mostra pontos de vista até então desconhecidos, te conta histórias admiráveis e emocionantes, leva a países que talvez você nunca vá colocar os seus pés ou mesmo te leva até o cais do porto das praias baianas para conhecer Pedro Bala e sua trupe. A leitura liberta, enriquece e enriquece com algo que o dinheiro jamais te dará, o conhecimento.

Eu fiquei feliz ao ver a menina no ônibus lendo Capitães da Areia e naquele momento minhas pretensões de crítico literário se esvaíram e pude louvar a Jorge Amado por ter escrito tal livro e ele estar hoje nas mãos de uma completa desconhecida que ao findar a sua leitura e eu a flagrei exatamente lendo a passagem em que Dora, se torna esposa de Bala, o ápice emocional do livro, não será a mesma pessoa de antes pois terá acrescido a sua base de conhecimento as aventuras de crianças e jovens baianos que emocionam gerações de leitores.

Claro que espero que esta moça continue a ler e leia cada vez mais literatura com sustância e conteúdo transformador mas espero sobretudo que cada vez mais pessoas consigam descobrir a beleza de ler um livro, a fantástica experiência de ter um autor falando com você através de suas palavras e te levando a reflexões impensadas até então. Ler, transforma. Podem apostar.

É isso

Ouvindo: Steve Green


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