quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Conectados ao Nada, ao Vazio



As vezes eu quero apenas escrever como se eu falasse sabe? Como se eu tivesse um amigo ao qual eu pudesse dizer das coisas que estão presas em meu peito, de como eu me sinto cada dia mais perdido em um mundo que sufoca com suas demandas insanas e soterra com uma avalanche de informações que são absolutamente descartáveis mas que apresentadas com uma embalagem que as faz essenciais, distraem a atenção para o que realmente importa.

E distraem tanto que hoje eu me pergunto o que realmente importa, porque eu, homem feito, muitas vezes, alias, na grande maioria das vezes, já não sei mais definir o que é essencial e por não saber minhas escolhas são falhas, meus passos se tornam trôpegos, minhas vontades guiadas por julgamentos errôneos. E por não conseguir verbalizar essas coisas com ninguém, eu resolvi escrever.

Não que o que eu escreva tenha alguma importância, em absoluto. Minhas ideias são confusas,  nascem em uma mente confusa e minha escrita sem estilo e elegância torna a compreensão do que eu digo um exercício a ser abortado depois de algumas tentativas. Não compensa.  Mas eu  tenho a necessidade de falar, ou melhor escrever, de alguma forma, expelir o que fica remoendo dentro de mim de forma incessante.

Olho ao meu redor e vejo pessoas cada vez mais conectadas em si mesmas e ainda que seus smart phones  possam criar a ilusão que estão conectadas ao mundo, não estão, pois os aplicativos de mensagens substituíram a voz e suas tonalidades  e modulações que tanto dizem quando se quer explicar algo, exprimir um sentimento. Para isso hoje, são usados os tais "emojis" ou coisas que o valham, economizando assim emoções genuínas que quando externadas podem na verdade parecer sinais de fraqueza.

A verdade é que estamos todos, neste tempos, loucos tempos conectados ao vazio, ao nada. Temos medo de externar emoções de dizer o que realmente pensamos porque é melhor ser "político" dar´se bem com todos ainda que para isso muito de nossa personalidade se dissolva em um caldeirão fervente de hipocrisia e amizades que servem apenas para que interesses sejam atendidos de ambas as partes. Cada vez menos importa o que somos e cada vez é necessário mostrar o que temos, ainda que na grande maioria das vezes, o que temos não serve nem a nós mesmos.

Sinto falta de relações reais. De amizades que não se construam apenas por interesses, de pessoas que não vendam suas ideias e ideais apenas para sair bonito na foto de alguém. Sinto falta de relações que se estabeleçam apenas pelo prazer em se construir amizades. Sinto falta da troca de afeto pura e desinteressada, sinto falta de amigos que estejam ali por e para mim e eu por eles e para eles apenas porque somos quem somos não porque oferecemos algo uns aos outros, ao menos nada além da amizade genuína.

Estamos em uma grande aldeia global, dirão alguns. Eu refuto este pensamento e digo que nunca estivemos tão deslocados e distantes como seres humanos. Esta tal aldeia tem casas com portas e janelas bem fechadas e a comunicação não se dá da forma que seria a devida. A Internet encurta distâncias? Inegável! Isso é bom? em ceta medida, mas este encurtamento de um lado causa um isolamento do outro quando deixamos de interagir de forma real e nossa vida se passa dentro de redes (anti) sociais. Hoje se você disser que n ão tem uma conta no facebook,  você é um lunático. Se não tiver um whats é um anormal e por ai vai.

Tente viver fora desse esquema das redes. O que vai sobrar? Uma sensação de desconforto, de solidão. Porque se os seus amigos não souberem que você fez  isso ou aquilo, viajou para tal lugar, jantou em tal lugar, você não fez de fato. Loucura total. Eu quero amigos, ou melhor, quero relações que sejam verdadeiras, baseadas na empatia, nas boas vibrações que passamos um para os outros. nada além disso.

Mas não vai rolar. O mundo não é assim. Não mais. Que triste.

É isso

Ouvindo; Foo Figthers


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