quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

LeFou. (Um Post Que Ninguém Lerá e Isso Não Me Importa Nem Um pouco)



LeFou, o personagem gay da adaptação dos estúdios Disney para o conto A Bela e a Fera é o meu personagem favorito de toda história. Já disse isso aqui quando escrevi sobre o filme que mais gostei de assistir em 2017. Não, na primeira versão da Disney, a do desenho animado que concorreu ao Oscar de melhor Filme (um despautério, ainda bem que não ganhou), Lefou não se revelava gay o que fez muita gente babaquinha achar que o fato de Lefou ser claramente um personagem homossexual nesta última versão foi uma imposição do lobby gay ou um plano malévolo (seria o irmão bastardo de Malevóla?) da Disney para destruir as famílias ditas tradicionais.

Não, nem uma coisa nem outra. Lefou é gay porque os gays sempre existiram e sempre existirão e não retrata-los em filmes (ainda mais nesta versão de A Bela e a Fera que não foi concebida para crianças), é de uma bobagem atroz. O mundo, é plural como ele é, não como setores conservadores gostariam que ele fosse. Existem Cristão, Budistas, Umbandistas, Muçulmanos, Ateus, Heteros, Gays e uma variedade sem fim de formas de pensar então pluralidade é necessária em filmes, peças de teatro e qualquer outra expressão artística.

No filme Lefou não anda com uma bandeira com as cores do arco-iris pendurada em suas roupas. Suas atitudes são questionáveis pelo caráter das mesmas, não porque seriam tomadas apenas por alguém com a orientação sexual que ele tem. Gente mal caráter existe em todos os lugares em todos os tempo e sem problemas com a tal orientação. LeFou alias tem qualidades que são desejáveis em qualquer ser humano como a lealdade e pasmem, uma bondade insuspeita, escondida sob os escombros de uma personalidade manipulada pela razão primeira de seu afeto, Gaston, personagem que por ser exatamente como a maioria da humanidade é e apenas não se reconhece como tal, jamais merecerá um post.

LeFou entende que o amor é querer o bem de quem se ama e por este motivo não mede esforços para o ver o tosco do Gaston ficar com Bela, ainda que o quisesse para si. Existe também uma admiração óbvia de LeFou por Gaston que talvez o faça querer ser seu amado em alguns momento, mas na verdade o que ele quer é abraça-lo beija-lo, ama-lo enfim, sem reservas. Isso não tira de LeFou  nuances naturais a qualquer ser humano entendem? Um homem querer beijar outro homem é algo que diz respeito apenas a quem quer beijar e quem se permite ou não ser beijado. LeFou não é mal por ser gay.  E não se redime no final do filme porque o mesmo lobby gay lá em cima pediu. Se redime (em certa medida apenas, alguns nem redenção considerarão  neste caso) porque sua história dentro do filme o conduz para isso e porque a pessoa que ele é de fato se sobrepôs a que ele escolheu ser por muito tempo, ou pelo tempo que o filme durou.

Não existe bandeira em A Bela e a Fera e muito menos no personagem de LeFou, mas seria muito bom se as pessoas assistissem ao filme e captassem a essência dele, LeFou e ao faze-lo buscassem tornarem-se pessoas mais tolerantes. Homossexuais não são aberrações, são seres humanos que gostam de pessoas do mesmo sexo que o seu e isso não os faz nem piores e nem melhores e nem mesmo diferentes de mim e de você, apenas os fazem pessoas com uma peculiaridade que eu não tenho. Mas e dai? Eu sou chato para caralho e nem minha heterossexualidade me livrou disso.

Amo o personagem de Lefou defendido com uma competência absurda Josh Gad. Não o tornando uma caricatura tosca e sem sentido e sim o fazendo uma pessoa como eu e você com erros e acertos e sua sexualidade sendo parte integrante da pessoa que ele é. Nada além. A Bela e a Fera é um filme espetacular em mina visão ainda que Emma Watson seja a Bela e isso quase ponha tudo a perder. Seu roteiro e sobretudo o acerto de Lefou tornam o filme mágico, digno de ser visto e revisto. Para quem tem telecine, estréia lá Domingo que vem as 20:00 e claro eu não ganho um centavo por dizer isso até porque ninguém investiria em um blog que ninguém lê.

É isso.

Ouvindo: Lily Allen
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