quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

De Tudo, Um Tanto



Porque não da para ter de tudo o inteiro das coisas, eu quero então de tudo, um tanto. Um tanto do amor. Na verdade, do amor eu quero um tantão, quase tudo,  eu quero viver o amor intensa e loucamente todos os dias porque o amor é isso: A liga da vida, sem amor a vida não é vida, é tentativa. Dele, eu quero um tanto maior que qualquer outro tanto de qualquer outra coisa. Só o amor pode redimir quem e o que eu sou. Só o amor vale a pena.

Eu não quero um tanto faz ou tanto fez. Eu quero um tanto quanto. Um tanto que não seja  quantitativo apenas, mas sobretudo qualitativo. Eu quero um tanto da sabedoria que há no mundo, para poder espalha-la entre as pessoas, não para usa-la apenas para mim. Eu, que nada sei, quero saber o tanto quanto me for possível saber sobre os mistérios do mundo. Sobre o mundo dos mistérios, eu também quero saber e quero chegar ao fim da minha vida e como Sócrates (o filósofo, não o craque) dizendo que tudo o que sei, é que nada sei, porque a sabedoria é um tanto quanto hetéria demais para se guardar.

Um tanto de dor eu quero também. Para saber como ela funciona e como eu funciono quando a sinto. A dor me mantém integro, me mostra que sou mortal, que sou normal, que vou sofrer, que vou morrer e que um dia desses eu vou chorar. E vou chorar porque vai doer, seja lá o que for, vai doer e esse tanto de dor vai me fazer no futuro mais forte não para que doa menos mais adiante, mas para que eu aguente a dor maior se ela vier. Eu quero um tanto de dor pra olhar para ela quando ela se for e poder dizer que me recompus, que recomecei, que me mantive vivo. Ao menos até eu morrer.

Da alegria eu quero um tanto que contraponha os tantos de tristeza que já tive. A tristeza que me persegue como uma música de Cícero, bela e dolorida. A tristeza que insiste em ser, ainda que eu não queira que ela seja, que ela me tome. Mas ela me toma então eu preciso desse tanto de alegria que me mostre que sim, a vida tem caminhos floridos e caminha-los muitas vezes é escolha assim como trafegar pelas pedras também o é. Da alegria, quimera em minha vida, (tanto o monstro quanto a combinação sem sentido de sentimentos) eu quero apenas que me contraponha e me mantenha de pé, nada além desse tanto.

Da vida, que projetada para ser eterna foi, temos apenas um tanto. Alguns mais, outros menos. Mas o tanto de vida que temos deveria ao menos no meu caso ser apenas um tanto mais sublime do que é. Esse tanto de amargura que se confunde com um tanto de esperança deveria ser diluído em doses homeopática, não vir em doses cavalares. Na vida, me falta um tanto de tudo, por este motivo, eu quero de tudo, um tanto.

É isso

Ouvindo: Cicero

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