sexta-feira, 16 de março de 2018

O Tiro Que Matou Marielle Matou Um Pouco De Cada Um De Nós (Brasil, Olha Pra Cima)






Sou um Paulistano de alma e coração. Mas amo de paixão o Rio de Janeiro. Não conheço outras paragens fora do meu país, mas duvido que haja algum lugar a reunir tanta beleza concentrada como no Rio. Esqueça as favelas, (de uns tempos para cá, comunidades). Elas sempre estiveram e sempre estarão lá. E dai? O Rio é e também sempre será muito mais que isso. Tem um povo leve, divertido, dinâmico e ao contrário do que reza a lenda alimentada pelos Paulistas, que trabalha para caramba!

O Rio tem Fla x Flu. Muito mais que um partida de futebol é uma verdadeira mobilização social tanto para o bem quanto para o mal, infelizmente mas a parte boa é linda de se ver. O Rio tem também um lance divertido que é ver nos calçadões ou na areia das praias e até mesmo em supermercados, cafés e que tais o povo da TV, Cinema e Teatro brasileiros passeando despreocupadamente. Parece que ali eles conseguem ser pessoas, apenas pessoas normais a circular em busca de Sol, Mar, um bom café ou o que quer que seja. O Rio explode em festa porque é lindo e amado. O que estraga o Rio...

Tem uma frase que diz que o que estraga o Rio são os Cariocas. Quanta bobagem! O que estraga o Rio são os seus políticos rasteiros, despreparados e preocupados apenas em encher seus bolsos de dinheiro em detrimento da população cada dia mais arrasada e sem perspectivas de melhora. Os políticos Cariocas são como gafanhotos de proporções apocalípticas não pela quantidade, mas pelo apetite devorador que não deixa uma folha sequer intacta e destrói tudo sem medo. O povo do Rio não merece os políticos que tem e de longe eu lamento todos os dias ansiando por uma melhora que no fundo sei que jamais virá.

Marielle era antes de mais nada uma peça de resistência. Em um país onde gente como Bolsonaro vira herói, onde bandido bom é bandido morto, Marielle entendia que bandido bom é bandido julgado e que recebe a devida pena. Entendia que o Estado não se vinga, faz justiça e sendo Estado, deveria se preocupar em proteger, não aterrorizar como boa parte da Polícia Militar do Rio de Janeiro, São Paulo e demais capitais fazem. Marielle não tinha medo ou melhor, como todo ser humano devia ter, mas não se curvava a ele pois entendia que sua vocação, o seu chamado era maior e mais importante que qualquer ameaça ou medo que pudesse tentar paralisa-la.

O tiro que matou Marielle feriu a democracia. é uma pequena amostra do estado de exceção que Bolsonaro pretende implantar no meu no seu, no nosso país caso vença as eleições presidenciais. Um estado onde pensar por si mesmo pode significar problemas, onde lutar pela liberdade e dignidade do cidadão pode ser considerado subversão, onde o mal triunfará de vez sobre os bons. O tiro que matou Marielle é um aviso do que vem por ai neste nosso país convulsionado por uma completa falta de moralidade e compaixão pelas pessoas. Acredite, o tiro, que matou Marielle, matou um pouco a mim e a você que lê, dê-se conta você ou não.

O Rio, que tão bem estava sendo representado por Marielle, Estado de tradição democrata, não pode se curvar ao medo. Deve sair as ruas, se mobilizar, exigir de forma contundente a apuração e punição sumária aos responsáveis por este ato de barbaridade indizível. Temos que ser hoje um só povo. Um povo que se une de forma inconteste e grita por justiça.

Fica aqui, para finalizar o meu apelo na frase da canção de João Alexandre: Brasil, olha pra cima!!!

É isso.

Ouvindo: João Alexandre
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