quarta-feira, 30 de agosto de 2017

como modelos de anúncios de cursos de mergulho em alto mar.



eu não sei tirar fotos e usar  os tantos filtros e ajustes que existem hoje em dia pra um cara feio como eu ficar ao menos apresentável. eu não sei gostar "um pouco" de alguém, o suficiente pra essa pessoa achar que os momentos que estamos no mesmo ambiente me são agradáveis. quando na verdade são absolutamente indiferentes.

alem de não saber usar os filtros nas fotos, eu não sei tirar fotos a todo momento só pra vender uma vida que não é a minha. não sei viajar e tornar disso um acontecimento, uma viagem pra mim é só uma viagem e me faz feliz na medida em que eu estou no local, não quando "posto" que estou no local.

eu sou de ler livros, não de áudio books. gosto de sentir a lombada de um livro, de folhear página por página sentir o cheiro da tinta e do papel. eu acho fotos em preto e branco comoventes. o excesso de cores e a poluição visual que elas geram não me diz nada, apenas me causa enfado. o meu mundo é o do ser, não o de parecer que se é.

e sendo, muitas vezes eu me quebro, me rasgo. não quero dizer que as outras pessoas não sejam, apenas representem ser o que melhor lhes convier, nada disso. apenas afirmo que ser para mim é sim um sofrimento. e ainda que eu não tenha mais idade para certos dilemas, eles existem em mim. e fazem minha vida ser como uma foto em preto e branco, o meu mundo não parecer com as viagens que as pessoas do facebook sempre fazem ou parecem sempre fazer.

como diria Toby Ziegler, as pessoas que aparecem em anúncios que querem vender cursos de mergulho em alto mar parecem todas muito mais felizes que as outras pessoas. porém a maioria delas jamais farão de verdade mergulho em alto mar, apenas receberam para fazer um anúncio. a vida me cansa exatamente por questões como essa, a diferença gritante entre ser e parecer que se é.

eu creio firmemente que se aprendesse a usar os filtros para deixar as fotos mais bonitas, se eu soubesse usar com mais desenvoltura as redes sociais, se soubesse mandar recados utilizando-me dessas mesmas redes ou se ao menos soubesse me vender de uma melhor forma, talvez, e talvez aqui não passa do que talvez representa, uma possibilidade, eu pudesse ser mais feliz, ou ao menos, parecer.

 já ouvi muita gente falar que cidades com pouca incidência de Sol produzem cidadãos mais tristes, deprimidos. não sei se creio nisso, mas a fotografia que se extrai de cidades assim me encanta. a pouca luminosidade é de fato algo melancólico por si só, mas uma dose de melancolia se faz necessária em um mundo onde todos parecem ser pessoas felizes e bem sucedidas. eu moraria no Alasca ou na Islândia. não tenho problemas com a pouca luminosidade, com o preto e branco. tenho sim um sério problema com pessoas que vivem como se fossem modelos de curso de mergulho em alto mar, sempre felizes com algo que nunca farão.

é isso.

ouvindo: arcade fire
Postar um comentário