Se Beethoven Ouvisse o Rei do Baião
Karen Carpenter, cantando Close To You com toda aquela doçura que sua voz possuía e, ao mesmo tempo, tocando bateria — seu instrumento de excelência —, me fez pensar: era ela melhor cantora ou melhor baterista? Se ela fosse melhor em uma atividade do que na outra, deveria ter concentrado todos os seus esforços apenas naquilo em que superava? E quem, afinal, pode julgar tal questão? E o seu irmão, Richard? Era melhor pianista ou melhor compositor? Cantor, jamais saberemos, pois limitava-se a fazer vocais de apoio para a irmã, no máximo duetos em que era sempre eclipsado pela voz de Karen. Muitos críticos diziam que suas canções e arranjos lembravam mais jingles publicitários do que música de verdade. Mas jingle, então, não é música? Existe "música de verdade"? O que seria, então, uma "música de mentira"? De novo: quem tem a posse dessa métrica para definir o que é arte e o que não é; o que é bom e o que é ruim? Se eu não gostar de Van Gogh, ele passa a ser um pintor...