Eu hoje trabalho próximo ao hospital Emilio Ribas, um hospital aqui em São Paulo especializado em doenças infecto-contagiosas. Quando tive meningite, fiquei por 10 dias internado lá. Minha irmã Fernanda não teve a mesma sorte. Ficou lá por cinco dias sucumbiu a doença, morrendo e me fazendo morrer tão novo que eu era junto a ela. Quando Fernanda morreu, a vida escureceu e até hoje e pura escuridão para mim com raros momentos de luz, alguns poucos flashes de felicidade. Fernanda s eria a única amiga que eu teria na minha vid,a o que ela já era quando viva. Depois que ela se foi, junto se foi a possibilidade de ser feliz.
Hoje me dei conta que a proximidade com este local não me faz bem. Me entristece e hoje enquanto a chuva caia eu olhava em direção ao prédio onde fica o hospital e me perguntava como foram as horas, os minutos finais de Fernanda neste mundo. Sentiu muita dor ou como eu estava anestesiada a maior parte do tempo? Espero que estivesse apagada sem sentir nada. Sentiu medo? Me lembro que quando acordei no quarto daquele hospital e olhei da janela para baixo e vi o estádio do Pacaembu senti estranhamente uma paz me invadir. Será que ela teve um pultimo momento de paz?
Quando os alunos da faculdade de medicina vinham em ronda com seus professores e eu era cobaia me sentia útil e me lembro perfeitamente de uma aluna muito loira de olhos claros que me lmbrou na hora minha irmã. Disse para ela que eu tinha uma irmã mais nova que era loira como ela e ela deve ter achado fofo ou algo do tipo, pois me deu um beijo na bochecha. Eu era uma criança que mal abria a boca de tão tímido e nem sei porque falei com ela. Acho que a beleza feminina sempre me motivou.
Fernanda seria linda pois já era linda. Ela teria me dado sobrinhos igualmente lindos e eu sei que ela seria uma mulher valorosa. Médica, não sei, talvez arquiteta ou mesmo se fosse dona de casa seria valorosa pois ela estava destinada a ser grande fazendo o que fosse. Hoje, quando penso nela, tenho medo e na verdade quase certeza que ela teria desistido de mim como pessoa e certamente eu e ressentiria disso mesmo que desse total razão a ela como dou total razão a qualquer pessoa que desiste de mim.
Não desisto de mim porque isso significaria ter que por um fim a minha vida e isso é algo que não tenho coragem, cuzão que sou. Ou talvez , pode ser qe Fernanda tievsse uma paciência imensa e sempre me desse uma chance por ser minha irmã e ver o quanto eu a amava. Eu queria ter vivido o amor enre irmãos, algo que deve ser lindo quando é pleno, mas não tivemos tempo para isso de forma adulta. No entanto eu e lembro que quando Fernanda era viva, nosso amor era puro e verdadeiro. Eu amava ver como minha mãe penteava os seus cabelos que ela chamava de campos de trigo numa óbvia referência ao Pequeno Príncipe.
Minha mãe me deixou tantas referências na vida sendo as principais literárias e musicais. Quantas pessoas podem se dar ao luxo de dizer que foram alfabetizadas pela própria mãe aos 4 anos de idade? Eu sabia ler e escrever com essa idade porque Dona Alexandrina me ensinou. Chguei na escola com uma vantaagem imens que logo se tornou uma maldiçãoi a bem da verdade, mas sou grato a ela, como sou. Estar neste plantão na esquina da Jaú com Consolação a menos de 200 passos do Emilio Ribas, bastando aatravessar a Rebouças e seguir reto me traz memórias confusas. Me lembro de sair de la curado e atravessar a rua para comer um hamburguer no BURDOG que ja existia e ja era uma delícia e lembro de minha irmã menos de 1 mês depois, sair de lá morta, em seu caixãozinho branco para ser enterrada.
As vezes não pego o metro onde deveria, na Estação Paulista. Vou até a estação Clínicas e ao passar em frente ao prédio do Emilio Ribas, detenho o passo e choro. Minha irmã jamais deveria ter morrido daquele jeito, naquele lugar e eu muito menos ter sapido lépido e fagueiro, vivo, para comer hamburguer. A vida, que é sempre tão injusta, nesses dois momentos alcançou seu ápice de injustiça. Minha irmã deveria estar bem com sua família e eu morto sem encher o saco de ninguém. Nao foi assim que aconteceu.
É isso.
Ouvindo: B.J Thomas. Outra fererencia fortíssima de minha mãe.
