A Finitude, o Mar de Cristal e o Silêncio
Eu sempre digo às pessoas quando elas se despedem de mim: "vai com Deus" . Por mais que isso possa ser uma convenção social comum às pessoas da minha geração — que cresceram sendo ensinadas que Deus existe e nos protege —, eu sinto de fato uma sinceridade em meu desejo de que Deus acompanhe a pessoa que de mim se despede. E eu de fato queria poder restaurar a crença total e irrestrita neste Deus que me ensinaram que existe — ou mesmo em qualquer outro deus que fosse —, mas não consigo. Aos 53 anos, me sinto dividido entre o desejo de crer e a racionalidade de duvidar da existência de qualquer espécie de divindade. Um dos principais motivos talvez seja exatamente o fato de eu ter sido ensinado que Deus é um só, o Judaico-Cristão, e que todos os outros são representações mentirosas e irreais, baseadas ou no desejo de afrontar o Deus de Isaque, Abraão e Jacó, ou de rivalizar com Ele pela atenção da humanidade. Seja como for, não deveriam existir vários deuses e liberdade de cred...