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Se Meu Carro Fosse Um Foguete

Eu tenho raiva. Ultimamente é a única coisa, o único sentimento que remoi dentro de mim. Eu tenho raiva. Essa raiva se divide em momentos distintos da minha vida e do meu dia, mas raramente vem à tona. Sinto uma raiva surda, que silencia ante as outras pessoas e ante os fatos da vida. Ela existe apenas dentro de mim, e eu venho me comparando a três personagens de três filmes diferentes de Adam Sandler. Nenhum deles é uma comédia — pois na minha vida não cabe o riso há muito, muito tempo. São todos dramas, e seus personagens são esquisitos, para dizer o mínimo. Barry Egan , o personagem atormentado pelas irmãs em Embriagado de Amor ( Punch-Drunk Love ), representa o meu lado antissocial. Como ele, tenho medo de interações com quem não conheço, prefiro a solidão e não sei lidar com a tristeza que sinto desde que me entendo por gente. Como ele, busco refúgio na violência — seja ela verbal ou física (neste caso, contra mim mesmo) — como meio de extravasar a dor de não saber ser feliz. Se ...

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