A Alma e o Mar
A alma que, sufocada por uma angústia que sabe-se lá de onde vem, busca um respiro ao olhar para o horizonte onde o Sol está beijando a borda do mar, escondendo-se do dia para reaparecer no Japão, lá do outro lado. Eu, que permaneço sentado na mesma pedra de onde o observo, vejo as primeiras estrelas sorrirem ainda tímidas no céu, enquanto elas mesmas observam a Lua que, cheia de si, banha o mar com seu prateado belo e imaterial. Essa alma — que quanto mais angustiada, parece mais sensível às belezas da natureza à sua volta — parece não conseguir compreender por que a beleza existe em um mundo cheio de dor e violência. Um mundo cheio de desalento e desengano, cheio de tudo o que é ruim, triste e feio, contrastando com a magnitude ao redor; ela parece duvidar que o bem possa coabitar com o mal. E essa alma, que tenta achar uma redenção possível por onde seus olhos podem vislumbrar, força-os, tentando enxergar para além do nauseante espetáculo de degradação que consegue ver. Parece-lhe q...