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Trinta Por Cento de Mim: O Abismo Entre o Pensamento e a Caneta

Eu jamais vou escrever como Mary Shelley, Virginia Woolf ou Jane Austen — a trinca de escritoras que mudou para sempre a minha percepção sobre o que é literatura de verdade. Eu sou, na verdade, apenas um corretor de imóveis com aspirações literárias que às vezes me parecem bobas, sem o embasamento ou a capacidade que elas tinham de colocar no papel, de forma tão precisa e elegante, o que pensavam. Se algo me falta, com toda a certeza, é a fluidez elegante da escrita dessas inglesas fantásticas. A mim, parece restar apenas uma escrita confusa e pouco inspirada. O tormento de ver que não consigo colocar no texto 30% do que realmente desejo — seja por falta de vocabulário, seja por incapacidade de transformar pensamentos em ideias concretas. Talvez o mundo ficasse melhor sendo privado das bobagens que gostaria de escrever. Mas eu gostaria, apenas uma vez que fosse, de olhar para um texto meu e sentir que tudo o que eu queria dizer foi dito — e que nada mais falta. A minha escrita marginal...

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