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O Cartaz de Guarulhos

Eu, com toda a brutalidade que habita em mim desde o dia em que nasci — creio eu —, sou uma pessoa que grita. Mais do que gritar: eu berro. Eu dou soco nas coisas e, se possível, nas pessoas. Tenho uma raiva surda dentro de mim, e é ela que me move. A raiva que sinto do mundo e das pessoas me move. Não sou movido pela bondade e pelo amor, por mais que eu gostasse de ser. O ódio é meu amigo, e sei que isso não é bom. Mas eu simplesmente não sei ser bom. Eu não sei sorrir e, mais importante, não quero aprender. Sei que se eu sorrir para quem quer que seja, se eu for simpático, se eu gostar de chuva ou de sol, não serei eu. Sou casmurrão — me tornei, nasci. E por mais que eu veja beleza nas artes, que eu me emocione com uma ária bem interpretada, com um livro divinamente escrito ou um filme visualmente belo que conte uma história que me prenda, gosto de viver sozinho cada uma dessas emoções. Não sei dar opiniões de forma elegante e educada. Minhas palavras são brutas, são definitivas e nã...

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