domingo, 18 de janeiro de 2026

Eu Não Sou Theodore, Mas Talvez Devesse Ser


Quando os primeiros acordes de  "Song On The Beach" se iniciam, eu automaticamente percebo que deveria ser  Theodore. Não sou, mas deveria ser. Não o Theodore ficcional, interpretado de forma tão absurdamente magistral por Joaquin Phoenix, mas uma espécie  de versão para o mundo real do personagem. Theodore que vem enfrentando um divórcio doloroso e que o fragilisa emocionalmente, se apaixona por uma I.A, algo que na época do filme era apenas um conceito distante e pouco entendido e conhecido.

O filme se desenrola e fica claro que o principal motivo pelo qual Theodore se apaixona por uma I.A é a sua extrema dificuldade de se relacionar com o mundo real, com pessoas reais, de carne osso e sentimentos contraditórios e que na mmaioria das vezes antagonizam com os seus próprios sentimentos. A dor de Theodore é latente e comove os de corações mais sensiveis. Eu deveria ser Theodore. Se me apaixonasse por uma IA, não magoaria ninguém com minhas respostas bruscas e mninha inabilidade social também latente. Acontece que eu sou Davi e odeio o conceito que rege qualquer tipo de IA. Eu não sou Theodore e nem vivo em um filme de Spike Jonze. Que pena.

Eu viveria bem em "HER","ADAPTAÇÃO", "QUERO SER  JOHN MALKOVICH"  e sobretudo  em "ONDE VIVEM OS MONSTROS", mas fato é que vivo em Osasco e trabalho nos Jardins, São Paulo, Brasil. Ao contrário de Theodore que vive em uma versão mezzo futirista, mezzo melancólica de Los Angeles e tem um emprego fantástico que consiste em escrever cartas enconmendadas por pessoas que precisam falar de seus sentimentos para outras mas não tem competência para tanto, eu sou um corretor de imóveis que vivo um momento de questionamento bravo de minha própria competência para desenvolver minha profissão. Eu queria ser Theodore e ter uma vida a cada vez que alguém assistisse o filme sobre mninha vida. Não sou.

Apaixonar´se por uma I.a tem suas vantagens. Ela é mais inteligente que você (afirmação questionável) e logo pode te ensinar muita coisa que por si só eu jamais aprenderia. Pode tomar decisões baseadas em lógica, (o que quase nunca faço) e por não ter um corpo material e nem alma, não exigiria grandes envolvimentos emocionais. E é ai que a coisa pega, pois Theodore se apaixona de fato, ou acha que se apaixona, e eu  por mais emocional que seja, para isso seria totalmente racional e jamais criaria um vínculo deste tipo.

Eu deveria ser Theodore, mas não tenho competência para tanto. Estou mais para o Joel de "Spotless", ou "Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lmebrnaças" de Michel Gondry. Um ser patético  ainda que extremamwnte inteligente mas que com o emocional também abalçado tenta se agarrar a uma tênue racionalidade ou o que ele mesmo entende como racionalidade. Eu queria e deveria ser Theodore e como não sou, o que me resta é ouvir a trilha sonora lancinante de HER, uma obra prima compota por pequenas (não no tamanho, mas conceito) músicas que se encadeiam como uma só.

Eu deveria e eu queria ser Theodore, mas fujo da IA como Elon Musk, (ou o diabo) da cruz. Eu não sei lidar com as pessoas e a muito tempo todas elas desistiram de mim. Não sou Theosore, sou um caso perdido. Ao menos tenho bom gosto musical.

É isso.

Ouvindo Her Soundtrak

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