quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Yerushalayim Shel Zahav (Jerusalém de Ouro)


Para ler este post, é preciso ouvir, e com muita atenção esta canção:



E tão importante quanto, ler esta tradução.

Jerusalém de Ouro

O vento das montanhas, claro como o vinho
E o cheiro dos pinheiros
É levado pela brisa do crepúsculo
Junto com o som dos sinos.

E no sono profundo da árvore e da pedra,
Presa em um sonho,
Está a cidade solitária
E no seu coração - um muro.

Voltamos aos poços de água,
Ao mercado e à praça
O shofar chama no monte do templo
Na cidade velha
E em cavernas nas montanhas
Milhares de sóis brilham
Descemos novamente ao Mar Morto
Pelo caminho de Jericó

Refrão:
Jerusalém de ouro
De bronze e de luz
Por que não ser eu o violino para todas as suas canções ?

Porém hoje venho cantar para ti
E te elogiar
Eu sou o menor dos teus filhos jovens
E um dos últimos poetas

Teu nome queima os lábios
Como o beijo de um serafim
Se eu te esquecer Jerusalém
Que é toda de ouro

Jerusalém de ouro
De bronze e de luz
Por que não ser eu o violino para todas as suas canções ?

Por que não ser eu o violino para todas as suas canções ?

Esta canção, magistralmente interpretada por Leonardo Gonçalves com um arranjo que faz querer chorar de tão lindo, é, descobri a pouco, uma canção do exílio, ou uma espécie de. A letra, fala de uma cidade  vazia e solitária e de um poeta que clama para lá voltar. A parte em que ele clama para ser o violino para todas as canções da cidade,  Jerusalém, no caso é particularmente tocante para mim. Amar assim uma cidade, a sua cidade, e nela querer habitar, mesmo depois de tanto tempo longe e de tanto sofrimento é belo e mais do que belo emocionante.

A letra, o arranjo, a voz de Leonardo, tudo isso me faz ter saudades de um lar que nunca tive de fato. Faz com que me sinta um  peregrino, um simples habitante temporário de lugar nenhum e por mais que vague por rincões  e vastidões deste mundo, não se sentirei realmente em casa até chegar ao meu verdadeiro lar, a minha Jerusalém de ouro. Não a Jerusalém literal, é claro, mas a Jerusalém prometida por Cristo aqueles que nele creem, a Nova Jerusalém, que como noiva adornada descerá com ele quando de sua volta.

Uma simples canção e sua história me fizeram ver minha condição de habitante temporário desta Terra como nunca antes havia percebido e suprema ironia para quem trabalha vendendo imóveis, me fez ver de forma cristalina o quanto é insano querer alguma coisa, o que quer que seja deste mundo corrompido e em suas horas finais.

Fica tão sem sentido vender imóveis milionários aqui em Alphaville ou qualquer outro lugar quando penso nas casas da Nova Jerusalém! Quem poderia avaliar o valor delas? Quem poderia, ainda que fosse o arquiteto mais renomado, um  Santiago Calatrava por exemplo, imaginar e empreender a construção de uma casa lá? Se o autor desta canção chora ao pensar na sua Jerusalém, a original, o que dizer da Jerusalém adornada que espera aqueles que aguardam ao Mestre?

Nada nesse mundo me encanta mais, nada! Nada aqui pode me seduzir, me alegrar. Começo a perceber o quanto este mundo se perdeu e o quanto eu vago por caminhos que não são meus ou que não deveriam ser, ao menos. A insanidade que toma conta do mundo neste seu derradeiro momento é tamanha que embota qualquer entendimento e cala toda voz que se levanta contra ela. Cristãos são como um povo sem lar e deveriam ansiar por sua Jerusalém restaurada como anseiam pelo ar. Se eu,  que nem cristão posso me considerar por tudo o que vivo e sou, já não aguento mais viver neste mundo mal, o que dizer daqueles que carregam em seu coração a chama do evangelho de Cristo Jesus e não compactuam com a perfídia de um mundo que desmorona?

Sinto saudades da Nova Jerusalém que não conheço e uma tristeza profunda me toma por saber que não a conhecerei. Uma vida pela metade foi tudo o que eu consegui. Não servi ao meu mestre de alma e coração e não sou digno de estar ali mas isso não me impede de imaginar como seria estar. Um vazio profundo me toma ao constatar que não mereço fazer parte daqueles que cantarão a canção do Cordeiro e muito menos poderei pela eternidade adora-lo.

Enquanto escrevo este post, mais uma prova da bondade e amor de Deus para com os seus filhos chega a mim. Não convém falar que prova é essa, apenas a menciono por estar muito, muito feliz em ver como Ele cuida de cada um dos seus. Eu, por meu turno, me descubro em um exílio, mas descubro também que me envolvi tanto com as coisas aparentemente belas, mas cruelmente perversas que este lugar tem que estou fadado a nele perecer, mesmo anelando Yerushalaym Shel Zahav.

É isso.

Ouvindo: Leonardo Gonçalves


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