Hebe Camargo era muito mais que uma grrracinha!

O que fica como legado após sua morte talvez seja para a maioria obtusa e acéfala apenas sua palavra mais marcante, "grracinha" e o famoso e decantado "selinho" que fazia questão de dar em seus amigos e convidados. Hebe no entanto era muito mais que isso. Muito mais. Num tempo em que mulheres não podiam nada e as que teimavam em fazer eram logo tachadas de putas pra baixo, Hebe ousou e se tornou uma figura carimbada na TV. Teve coragem o bastante para ser Malufista e ir contra a "inteligentsia" esquerdista deste 'intelectuais" massantes que são os nossos, teve a ousadia de comandar um programa de TV que debatia desde aborto (tendo ela mesmo revelado ter feito um) até pena de morte, (nunca se posicionou ao certo), e sim, trazia muitas amenidades para a família assistir junto. Num antro de falsidade que é o show bussines foi amiga leal e ajudadora incansável de artistas em dificuldades, seja levando a seu programa, seja conseguindo contratos com gravadoras e emissoras de tv. Foi genuinamente polêmica e uma mulher de polêmicas que valiam a pena, não daquelas falsas e vazias. Era reverenciada por praticamente todos os seus pares e sua luta contra a doença que acabou dando cabo a sua existência foi comovente e emocionante como só com ela poderia ser. Posou careca para a capa de Veja São Paulo e ajudou a tirar o estigma, ou ao menos diminuí-lo quando o assunto era quimioterapia. Encarou sua doença de frente e passou esperança a todos os doentes e desvalidos de nosso país. Mais do que uma artista foi uma ativista. Talvez não tivesse estofo político suficiente para alçar grandes alturas no pensamento político nacional mas sabia claramente reconhecer uma injustiça quando via uma e gritar contra as mazelas de nossa população. Hebe soube envelhecer sem cair no ridículo, sem parecer uma caricatura tosca de si mesmo e nos deixa uma saudade genuína que poucos artistas conseguem realmente deixar. Uma mulher de fibra, de raça, de coragem ímpar que bem fariam esses aspirantes a artistas e modeletes sem massa encefálica se seguissem 1% que fosse de seu grandioso exemplo. Claro que Hebe cometeu erros, injustiças, afinal não é de uma santa que se está falando, mas prefiro deixar aqui apenas o que fez de bom por todo um país em que pessoas que detem o poder da comunicação geralmente o usam para mal quando deveriam usa-lo para o bem. Hebe, minhas saudades são sinceras. Muito obrigado por tudo. É isso Ouvindo: Mutantes Panis Et Circensis

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