Houve Um Massacre Em Suzano, SP



Houve um massacre. Massacre, palavra triste e barbara, indizível ela deveria ser mas é quase corriqueira. Tenho pena de nós seres humanos e o que paulatinamente estamos nos tornando. Pessoas sem compaixão, que ao se deparar com o horror sentem apenas um leve frêmito de indignação para logo em após seguir a vida como se nada demais houvesse acontecido.

Mas em Suzano, SP, aconteceu. Houve um massacre. Houveram mortos. Se fosse apenas um morto, ja deveríamos como os Ninivitas arrependidos rasgar nossas roupas e nos cobrir de cinzas para sentarmos e prantearmos. Mas foram bem mais que um, foram vários. E não os pranteamos de verdade.  Tudo o que temos, é o espetáculo barato de  Jornalistas correndo atrás  dos ângulos mais  devastadores possíveis para serem  retratados. Redes de TV's por horas e horas no ar mesmerizando a milhões com a repetição incessante de imagens que nem deveriam ser mostradas, quanto mais repetidas.

O que importa a discussão absolutamente estéril agora sobre porte de armas ou se vídeo games influenciam mentes assassinas? Já se sabe que 1% da humanidade é composta por psicopatas e eles estão bem distribuídos pelo globo ou seja, a chance de termos mais de um psicopata em Suzano é enorme, tanto que dois se revelaram. Houve um massacre mas o que se seguiu, o show que se formou em seguida, repórteres correndo atrás de familiares de vitimas, garotos de ouro reduzindo a dor alheia a pontos no ibope, tudo isso e muito mais não se joga na conta de psicopatas. Foram ações arquitetadas por pessoas plenas de suas faculdades mentais, suas funções motoras e cognitivas.

A dor imensurável de quem perdeu um ente querido sem nem um aviso prévio, sem esperar pelo pior é algo que deveria ser respeitada. Compartilhar vídeos em aplicativos é tão bárbaro que me faz desacreditar na humanidade mas também me mostra o grau de anestesia ao qual estamos expostos. Não me importa as motivações de maníacos psicopatas. Me importa mais a perda dos que se foram.

Mas o s que se foram, são apenas estatísticas manipuláveis na guerra de contra informação que os Senhores da Guerra travam tentando fazer prevalecer o seu próprio ponto de vista. João Dória, nosso Riquinho Rico, fixou o valor das vidas daquelas vítimas em 100.000 dinheiros brasileiros desde de que esse dinheiro calasse a voz dos parentes dos que se foram. 100.000 dinheiro brasileiros? como pode?

Será que um dia sairemos deste estado de anestesia coletiva e gritaremos nossa indignação? Será que para além de debates desnecessários sobre armas, papel da imprensa, falta de segurança nas escolas entre outros, entenderemos que mais importante que debater depois é agir antes? Será que nossa cansaço vai nos fazer submergir e fechar os ouvidos para o que realmente importa? Somos todos vítimas de dois psicopatas loucos e sem nenhum senso de integridade mas somos ainda mais reféns de um estado inoperante que não se importa com o antes e quer bancar o herói depois do acontecido.

Nossa sociedade esta doente e estando doente não percebe o quanto é manipulável e o quanto ela mesmo retroalimenta loucos psicóticos que estão sedentos por cinco minutos de fama ainda que esta fama seja póstuma, ou seja, pessoas que nada tem a perder. E nós? quanto temos a perder? Quantos temos a perder para agirmos como se não fosse conosco?

Brasil, olha pra cima!

É isso.

Ouvindo: Regina Mota


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