Momento de Luto
Fiquei realmente abalado com o acidente da Tam. Com o descaso deste governo idiota em relação as nossas vidas e acho que sim, são nossas vidas que estão em jogo, seja porque andamos de avião seja por que passamos próximo aos aeroportos, enfim, uma série de fatores.
Achei o que melhor traduz meu sentimento de tristeza em um lugar absolutamente improvável; O Jornal Lance. Gosto de esportes, mas sinceramente não esperava um texto que mostrasse a dor, preprlexidade e diga-se de passagem a banalização das tragédias brasileiras de forma tão contundente e tocante num jornal assim.
Meu obrigado a Flavio Gomes o jornalista que o escreveu e que transcrevo aqui para partilhar com vocês leitores que tem mais o que fazer que ler jornais esportivos.
Chove sem parar.Conheço a área. E não há porque alguém impedir minha passagem.
Chego a larga avenida, que liga o norte ao sul. Pela contramão. Há um silêncio ensurdecedor, escreveria alguém. Não há sirenes. Nem o fogo crepita. Arde, apenas.
Encosto o carro. São poucos metros até as chamas, a fumaça e os carros de bombeiro. Aquele cheiro de novo.
Fico ali, olhando. Há uma fita impedindo as pessoas de passarem, mas não há muitas pessoas e as que há não querem passar. E as que querem passar, passam. Ninguém fala, só o fogo e a fumaça. Falam baixo.
Fico por ali, saio a pé. Nas casas e nos prédios vizinhos vivem pessoas vivas. Há silêncio e vida. Algumas luzes acesas, alguns televisores ligados para ver melhor o que está acontecendo ali ao lado.
Há alguns bares abertos e toma-se café. Pego o carro, vou até o outro lado. Empaco atrás do caminhão de lixo. É preciso recolher o lixo, eles recolhem o lixo.Desviam ali, aquela quadra vai ficar com lixo esta noite. Espero recolherem o lixo. Atrás de mim, dois carros do IML também esperam, sem pressa.
Paro o carro de novo, sobre a calçada, olhando para a cabeçeira xadrez. Não há sinal algum que explique nada, apenas um prédio do outro lado ardendo em silêncio e a chuva que não para.
Chegam quatro jovens. Uma moça chama o policial pede para ir a algum onde lhe digam alguma coisa. Minha mãe estava lá.
No avião, diz, sem desespero. Era para estar, acrescenta, ao meu espanto.
Aquele cheiro de novo, agora com chuva. Volto ao carro, que anda lento e silencioso. Não tenho muito mais o que fazer ali. Nas casas lá perto as TVs já foram desligadas. Há silêncio, escuridão e normalidade. Há um motel funcionando. Há um hotel um pouco além, com manobrista e gente na recepção.
Está tudo normal. Só aquele pedacinho ali é que tá meio esquisito, sai fumaça. Amanhã limpam tudo.
É isso.
Ouvindo: Saviour
Achei o que melhor traduz meu sentimento de tristeza em um lugar absolutamente improvável; O Jornal Lance. Gosto de esportes, mas sinceramente não esperava um texto que mostrasse a dor, preprlexidade e diga-se de passagem a banalização das tragédias brasileiras de forma tão contundente e tocante num jornal assim.
Meu obrigado a Flavio Gomes o jornalista que o escreveu e que transcrevo aqui para partilhar com vocês leitores que tem mais o que fazer que ler jornais esportivos.
Chove sem parar.Conheço a área. E não há porque alguém impedir minha passagem.
Chego a larga avenida, que liga o norte ao sul. Pela contramão. Há um silêncio ensurdecedor, escreveria alguém. Não há sirenes. Nem o fogo crepita. Arde, apenas.
Encosto o carro. São poucos metros até as chamas, a fumaça e os carros de bombeiro. Aquele cheiro de novo.
Fico ali, olhando. Há uma fita impedindo as pessoas de passarem, mas não há muitas pessoas e as que há não querem passar. E as que querem passar, passam. Ninguém fala, só o fogo e a fumaça. Falam baixo.
Fico por ali, saio a pé. Nas casas e nos prédios vizinhos vivem pessoas vivas. Há silêncio e vida. Algumas luzes acesas, alguns televisores ligados para ver melhor o que está acontecendo ali ao lado.
Há alguns bares abertos e toma-se café. Pego o carro, vou até o outro lado. Empaco atrás do caminhão de lixo. É preciso recolher o lixo, eles recolhem o lixo.Desviam ali, aquela quadra vai ficar com lixo esta noite. Espero recolherem o lixo. Atrás de mim, dois carros do IML também esperam, sem pressa.
Paro o carro de novo, sobre a calçada, olhando para a cabeçeira xadrez. Não há sinal algum que explique nada, apenas um prédio do outro lado ardendo em silêncio e a chuva que não para.
Chegam quatro jovens. Uma moça chama o policial pede para ir a algum onde lhe digam alguma coisa. Minha mãe estava lá.
No avião, diz, sem desespero. Era para estar, acrescenta, ao meu espanto.
Aquele cheiro de novo, agora com chuva. Volto ao carro, que anda lento e silencioso. Não tenho muito mais o que fazer ali. Nas casas lá perto as TVs já foram desligadas. Há silêncio, escuridão e normalidade. Há um motel funcionando. Há um hotel um pouco além, com manobrista e gente na recepção.
Está tudo normal. Só aquele pedacinho ali é que tá meio esquisito, sai fumaça. Amanhã limpam tudo.
É isso.
Ouvindo: Saviour
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