Santos, sempre Santos (ou de como o futebol deixou de ser algo bem bacana)

Sim, eu amo futebol. Inegavel isso. Inquestionavel verdade sobre minha pessoa. Sou santista fanatico, apaixonado, de ficar com raiva quando o Santos perde.

Mas exatamente ai começam os problemas: Hoje em dia, fico com raiva desentir raiva quando meu Leão do Mar perde. Explico: Acabaram com a magia do futebol.

Não foram os jogadores que acabaram com a magia do Futebol, de forma alguma, o fato de eles irem cada vez mais cedo para o exterior embora seja deploravel espelha apenas uma cultura introjetada em nossa sociedade em que pra se dar bem vale tudo, inclusive abandonar Pais,amigos e sua própria indentidade se preciso for pela chamadsa independencia financeira que a Europa ou até Mesmo Asia e Oceania proporcionam a alguem que via de regra mal sabe assinar o próprio nome.

O que acabou com o futebol na minha visão é uma mistura de dirigentes imbecis e incapazes, com a ganancia da T.V que afasta o torcedor do estadio que deveria ser seu habitat natural e hoje nada mais é do que um criadouro de pessoas sem noção que se matam mutuamente em nome de algo que nada tem av er com paixão clubistica e sim com ódio irracional nem sabem eles bem por quem e por que.

Esse tais dirigentes transformaram o patrimnio maior de qualquer clube, que é a sua marca, em algo negociavel por alguns tostões, ou alguem acha que vale só R$ 12.000.000 por ano estampar o logotipo de uma empresa, seja ela qual for na camisa do Corinthians? Ou o meu Santos estampar nas mangas da camisa o logotipo de uma tal de Muriel cosméticos? Por favor!

Além da degradação das marcas existe também a dilapidação do patrimonio tangivel do sclubes que os possuem, ou eja estadios, area social, equipamentos em geral que são tão mal tratados que até o São Paulo Bambi Cluble o mais bem administrado clube do Brasil vive cedendo seu estádio pra coisas ridiclas como aprsentação do H S M, oh my!

Com tudo isso o que sobra ao torcedor é ver uma revelação despontar e ficar apenas seis meses no clube, ir embora e os dirigentes ficarem ricos enquanto torcedores ficam com cara de pateta.

A midia, honrosas excessões a parte, também é um show de horrores, jornalistas que preferem vender cerjeva, salgadinhos, sapatos (um abraço ao empresário Di Polinni) fios e cabos elétrico a a noticiar com seriedade e sem paixõs o que ocorre no dia adia dos clubes.

Ficamos todos a mercê de jornalistas que são conselheiros de clubes qe cobrem!!!! Como alguem pode ser imparcial numa situação dessas? Como esperar noticias imparciais, sérias num ambiente promiscuo desses?

Ai tem a arbitragem que no Brasil é umcaso a parte. Juizes horrendos, juizas lidas, mas que preferem agir como mulherzinhas (no pior sentido da palavra) do que como arbitras sérias, mal remunerados e qua acabam csendo subornados manchando a idoniedade de qalquer campeonato que apitem, seja o Brasileirão, seja um torneio de Juniores.

No Brasil ser torcedor de futebol é algo muito desgastante,não prazeroso como deveria, ir a um estádio é uma aventura Dantesca, levar suafilha de 7 anos nem pensar.


Bom, nem tudo está perdido, lendo o Estadão neste Domingo me deparo com este texto magnifico:


O Corinthians nos olhos do menino

Domingo último pela manhã, passando pela rua Javari vi, na frente do estádio do Juventus, um pequeno movimento que indicava jogo.

Entrei pensando que se tratasse de um jogo do Juventus.

Não era.

Iam jogar Corinthians e Noroeste, com seus times que em outros tempos eram chamados de juvenis ou coisa parecida.

Não tenho idéia de por que essas equipes iam jogar no campo do Juventus, e isso também não importa.

Os times entraram em campo, sob um sol terrível, e pelos aplausos e comentários pude reparar nos corintianos presentes.

A rua Javari é um estádio em que não há anônimos, não há multidão informe.

Você pode observar as reações de cada torcedor.

É como no cinema ou no teatro. Há de fato, nas arquibancadas da rua Javari, qualquer coisa do clima dos enormes cinemas de bairro, de antigas matinês de domingo, alguma coisa perdida para sempre, muito difícil de definir.

Bom, quanto ao jogo pouco a dizer.

Os garotos pareciam tentar desesperadamente jogar como os adultos no que estes têm de pior.

Poucas jogadas individuais, marcação forte, carrinhos e chutões.

Claro que havia alguns garotos em que se podia sentir a habilidade, mas desapareciam sob a marcação implacável.

Pude então me voltar para os espectadores, que talvez fossem mais interessantes que o jogo.

Chamou imediatamente minha atenção uma dupla: um menino de uns oito anos e um senhor ao lado, pela idade, o avô.

O velho estava recostado indolentemente olhando o jogo, não com desinteresse mas com certo, digamos, distanciamento.

Como se olhasse o jogo do alto da sua idade.

O menino não.

Torcia, como se estivesse no Pacaembu, num grande jogo.

E de repente o Corinthians fez um gol.

O velho apenas se mexeu, mas o garoto vibrou, pulando e gritando.

Me ocorreu que, para aquele garoto, o Dualib, a Polícia Federal, a MSI, os trambiques e negociatas não significavam nada.

Diante dele não estava o clube comentado nas reportagens policiais, com dirigentes estampados nos noticiários de tv, tendo de explicar o inexplicável.

Diante do garoto, ali no campo, estava o Corinthians.

Tenho certeza que nem lhe passava pela cabeça que aquele era apenas o time de base, o juvenil.

Que aquele jogo talvez não tivesse nenhuma importância na trajetória desse clube cheio de tradição.

O que ele via era a camisa branca, os calções pretos.

Era o Corinthians mitológico, eterno, que passa de uma geração para outra.

Quando o jovem jogador ainda desconhecido fez o seu gol o garoto vibrou como se fosse do Rivellino, do Sócrates, do Tevez.

E eu também compreendi que mesmo num pacato domingo de manhã, mesmo com o time juvenil, ali estava o Corinthians.

O menino continuava sem tirar os olhos do campo.

O velho continuava olhando o jogo de longe.

Pode ser que ele, sim, estivesse pensando no Dualib e no Kia, e no que aconteceu com seu clube.

Mas pode ser também que,pelo menos por alguns momentos, olhando os jovens jogadores no campo,ele tenha pensado em Cláudio, Luisinho, Baltazar, Carbone e Mário, que talvez tenha visto mais de cinqüenta anos atrás na mesma rua Javari.

Sempre o Corinthians, na memória de uns, no imaginário de outros, mais forte que os fatos.

O velho chamou o vendedor que vestia um garboso jaleco grená com um J bordado no peito.

Dividiram o amendoim torrado, o garoto sem conseguir desviar os olhos da partida.

Vi que o Corinthians estava salvo.

Ugo Giorgetti, Palmeirense Fánatico



Comentários

Postagens mais visitadas