Comendo maionese

As vezes tenho vontade de comer toneladas de maionese. Li em algum lugar que apress a morte. Depois de alguns minutos entretido neste pensamento, lembro que gosto muito de viver. E lembro que gosto muito de viver porque ao pensar em maionese me lembro de minha querida vovó.

Minha vó se recusava a comer maionese de supermercado. Ela fazia a dita cuja e era deliciosa. E, quando eu ia a casa dela ela sempre fazia a minha salada favorita: Salada de maionese.

Se depois de adulto eu a visitava sem avisar ela ficava brava, ofendida mesmo, não pela visita, mas orque ir sem avisar significava não ter a salada pronta. Ai, lá ia ela para a cozinha fazer a salada.

Depois que ela morreu, fiquei muito tempo sem comer salada de maionese. por motivos óbvios, e também porque a dela era insuperável, mas voltei a comer e a ter lembranças bacanas de nossas conversas, de nossos momentos.

Por ter DDA, sempre fui uma criança tosca, ou seja, destruia objetos, não parava qieto um instante sequer e tenho uma vaga lembrança de que algumas tias minhas me achavam meio retardado...

Minha vó era minha defensora. Se eu quebrava algoi ela minimizava a importância do ato, se eu não parava, dizia que criança tinha que ter energia mesmo e assim ia acontecendo minha vida, minha vó era minha fiel escudeira.

Minha vó, além de me entupir de salada,também me entpia de literatura. Lembro que no meu aniversário de 10 anos, eu queria um Atari (ou um telejogo da Phillips) e ela me pregou uma peça: Me deu uma versão de Don Quixote destas condensadas sabe? E me mostou o telejogo.

Me disse: - Leia o livro, mas leia mesmo e depois ganha o jogo. Li, ganhei o jogo e no ano seguinte ganhei uma versão maravilhosa do livro que guardo comigo até hoje, uma edição bilingue, que me enloqueceu pela literatura de uma vez e ela ainda me deu muitos outros livros.

Liamos juntos Edgard Allan Poe e isso é algo que me orgulha demais. Quantas avós se dão ao trabalho de ler Poe com seus netos? Discutiamos horas sobre todos os assuntos, fomos juntos votar (euno Analfabeto Funcional e ela no Collor), ela ia me ver jogar bola...

As vezes me sinto triste, opresso e gsotaria que ela estivesse aqui. Não acredito em contatos com mortos (aff!) e nem que ela me observe em algum lugar melhor, mas para estes dias tristes, sem muita solução, em que estou do lado errado de minha vida, comer maionese não é a solução no sentidop demorrer mais rápido, mas pensar em maionese me conforta demais.

É isso.

Ouvindo: Mellon Collie and The Infinite Sadness

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