Vida, vidas, minha vida

Vida que segue, dia que passa, porque na verdade os dias não sabem fazer nada além de passar e a vida não consegue mudar ao ponto de parar de seguir seu curso. Então nessa marcha incessante pelos dias que a vida nos presenteia, (sim, para mim viver é um presente, uma dádiva divina), só nos resta cuidar das vidas aos quais temos algum tipo de responsabilidade além de nossas próprias vidas.

É imaturo e pueril imaginar que não temos interferência na vida das pessoas que gostamos ou que gostam da gente, ou mesmo das que não gostamos e que nos desgostam também mas de certa forma somos obrigados a nos relacionar. Essas vidas em algum momento podem ser mudadas por pequenos ou grandes gestos que praticamos, por algo que dizemos ou simplesmente não dizemos mas insinuamos.

Claro que seria muito mais tranquilo afirmar que cada ser humano é responsável pelos seus atos e em grande medida é mesmo, mas como negar que interferimos sim, muitas vezes na vida de alguém, assim como interferem na nossa? Ora, ainda em que fossemos cada um de nós uma ilha separada por pedaços de oceano a nossa volta, os movimentos das placas tectonicas fariam com que em algum momento nos chocassemos.

Não há nem um fato especial para partilhar este meu pensamento, mas por algum motivo hoje me dei conta de forma mais aguda da responsabilidade de maus atos perante a sociedade. Na verdade a sociedade que se exploda, deixa eu reformular, afinal não sou tão bacana assim pra gostar de toda a sociedade, digamos que eu me dei conta de forma aguda da responsabilidade dos meus atos perante as pessoas que eu realmente gosto, que são poucas, mas caras demais para mim.

Obviamente sei que não posso viver planejando minhas ações de forma a gradar a todos, mas posso sim, tentar ao menos magoar menos as pessoas ao meu redor, dizer menos coisas irrefletidas, ser mais maleável, cortes, enfim, ser uma pessoa melhor.

E ser uma pessoa melhor é antes de mais nada bom para a minha vida, pois qualquer mudança de atitude, quando positiva, ou mesmo negativa, reflete primeiramente em mim mesmo e acaba pautando decisões futuras.

Pessoas que eu gosto e que gostam de mim procuram ver minhas qualidades (que são poucas, admito) e esconde-las atrás de uma mascara de indiferença causa frustração para elas e para mim.

Não sei se consigo ser melhor do que sou, na verdade não sei nem se sou bom, ou minimamente sociável, mas sei que posso mudar ou tentar mudar, sei que posso mapear e identificar dentro de mim zonas cinzentas que me fazem agir de forma pouco amistosa, cruel, indiferente, egoísta e por ai vai. Sei que posso identifica-las com alguma facilidade até. Se vou de fato querer muda-las, se vou, acreditando no mantra Darwiniano, evoluir não como espécie biológica, mas como ser humano pensante, que pode sempre melhorar, sempre buscar a superação, bom, ai já são outros quinhentos.

É isso.

Ouvindo: Daniel Salles

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