E se...
Eu bem sei que existem pessoas más no mundo. As pencas, aos borbotões, dúzias e dúzias em poucos metros quadrados, pessoas que não se importam com o sofrimento alheio, ao contrário, se comprazem com ele. Pessoas que fazem o mal com a mesma despreocupação com que trocam sua vestimenta diária. Isso é um fato.
Sim, falo do casal Alexandre Nardone e Ana Carolina Jatobá. E do mal que agora sabe-se sem sobra de dúvida, eles perpetraram contra a filha do primeiro. Nunca me senti a vontade para escrever sobre este assunto, porque nunca até então havia se provado de forma cabal a culpa de ambos.
Agora, com a equipe de peritos da policia paulista deixando o Larry Fishburne e sua equipe do CSI no chinelo, não há mais como duvidar. O mal se revelou na forma deste casal.
O mal, a bem da verdade, se revela dia a dia. Em pequenas doses, em grandes doses, ele se revela. Na indiferença que tenho com os necessitados e famintos,na forma rispida com que trato entes supostamente queridos, quando no trânsito eu jogo meu carro contra o motorista que me fechou. Em tudo isso o mal se revela.
A grande catarse coletiva que se assistiu com este julgamento a mim revelou algo bem interessante: Muitas vezes o mal que o outro pratica faz com que eu me sinta melhor.
Nardone e Jatobá pagarão por seus crimes um bom par de anos e eles de fato mereciam a prisão perpétua isso sim, mas e os meus atos maus, até quando continuarão impunes?
Sou eu melhor que eles porque a minha maldade é muito mais na intenção de ser mal do que no mal efetivamente cometido? Deveria eu comemorar a prisão de ambos sendo que nem parente sou da família da pobre garotinha? Claro que a eles toda a minha solidariedade de pai que simplesmente enlouqueceria se perdesse sua filha, mas o que tenho eu ou qualquer outra pessoa de tão melhor que a dupla aqui citada?
Certamente o escrúpulo que me freia e me impede de assassinar alguém me faz melhor neste aspecto, mas e minha falta de escrúpulo em questões bem mais comezinhas mas que também tem sua importância?
Nardone e Jatobá atentaram fisicamente contra uma criança indefesa e isso é deplorável. Mas a dúvida que me assalta é a seguinte: Tem direito o povo de soltar fogos de artificio pela sua condenação? Qual a real intenção da maioria das pessoas que fizeram vigília postadas em frente ao fórum de Santana? Prestar solidariedade? Será?
Muitas vezes as pessoas seguem os passos de outras pessoas que por sua vez estão seguindo os passos de outras que já há muito seguem outras que não sabem para onde vão. Essas pessoas podem muito bem desembocar na frente de algum fórum, ou na frente do Autódromo de Interlagos, tanto faz.
As nossas motivações deveriam ser mais claras antes de mais nada para nós mesmos, mas normalmente o que acontece é que nem sempre estamos cientes do que queremos de fato fazer e fazemos o que a maioria faz.
Em que momento as pessoas que julgam tão rapidamente o casal Nardone esqueceram que existem duas crianças que nada tem a ver com o fato lamentável e são filhos do mesmo?
Julgar o pai de Alexandre por querer defende-lo é realmente legitimo? Não parece muito mais legitimo que um pai queira defender sua cria simplesmente por ser sua cria? Agora ele vira bandido junto com o filho?
O que busca a sociedade quando lincha moralmente pessoas que sim, estão próximas do fato mas não contribuíram em nada para que ele ocorresse e nada verdade teriam feito de tudo para evita-lo?
E se Nardone ou Jatobá fossem meu ou seu filho? Como olharíamos para ele?
É isso.
Ouvindo: Alessandra Samadello, Amy Grant
Sim, falo do casal Alexandre Nardone e Ana Carolina Jatobá. E do mal que agora sabe-se sem sobra de dúvida, eles perpetraram contra a filha do primeiro. Nunca me senti a vontade para escrever sobre este assunto, porque nunca até então havia se provado de forma cabal a culpa de ambos.
Agora, com a equipe de peritos da policia paulista deixando o Larry Fishburne e sua equipe do CSI no chinelo, não há mais como duvidar. O mal se revelou na forma deste casal.
O mal, a bem da verdade, se revela dia a dia. Em pequenas doses, em grandes doses, ele se revela. Na indiferença que tenho com os necessitados e famintos,na forma rispida com que trato entes supostamente queridos, quando no trânsito eu jogo meu carro contra o motorista que me fechou. Em tudo isso o mal se revela.
A grande catarse coletiva que se assistiu com este julgamento a mim revelou algo bem interessante: Muitas vezes o mal que o outro pratica faz com que eu me sinta melhor.
Nardone e Jatobá pagarão por seus crimes um bom par de anos e eles de fato mereciam a prisão perpétua isso sim, mas e os meus atos maus, até quando continuarão impunes?
Sou eu melhor que eles porque a minha maldade é muito mais na intenção de ser mal do que no mal efetivamente cometido? Deveria eu comemorar a prisão de ambos sendo que nem parente sou da família da pobre garotinha? Claro que a eles toda a minha solidariedade de pai que simplesmente enlouqueceria se perdesse sua filha, mas o que tenho eu ou qualquer outra pessoa de tão melhor que a dupla aqui citada?
Certamente o escrúpulo que me freia e me impede de assassinar alguém me faz melhor neste aspecto, mas e minha falta de escrúpulo em questões bem mais comezinhas mas que também tem sua importância?
Nardone e Jatobá atentaram fisicamente contra uma criança indefesa e isso é deplorável. Mas a dúvida que me assalta é a seguinte: Tem direito o povo de soltar fogos de artificio pela sua condenação? Qual a real intenção da maioria das pessoas que fizeram vigília postadas em frente ao fórum de Santana? Prestar solidariedade? Será?
Muitas vezes as pessoas seguem os passos de outras pessoas que por sua vez estão seguindo os passos de outras que já há muito seguem outras que não sabem para onde vão. Essas pessoas podem muito bem desembocar na frente de algum fórum, ou na frente do Autódromo de Interlagos, tanto faz.
As nossas motivações deveriam ser mais claras antes de mais nada para nós mesmos, mas normalmente o que acontece é que nem sempre estamos cientes do que queremos de fato fazer e fazemos o que a maioria faz.
Em que momento as pessoas que julgam tão rapidamente o casal Nardone esqueceram que existem duas crianças que nada tem a ver com o fato lamentável e são filhos do mesmo?
Julgar o pai de Alexandre por querer defende-lo é realmente legitimo? Não parece muito mais legitimo que um pai queira defender sua cria simplesmente por ser sua cria? Agora ele vira bandido junto com o filho?
O que busca a sociedade quando lincha moralmente pessoas que sim, estão próximas do fato mas não contribuíram em nada para que ele ocorresse e nada verdade teriam feito de tudo para evita-lo?
E se Nardone ou Jatobá fossem meu ou seu filho? Como olharíamos para ele?
É isso.
Ouvindo: Alessandra Samadello, Amy Grant
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