Por que escrever?

Coloco para mim mesmo parâmetros inatingiveis. Jamais escreveria um livro simplesmente porque não tenho o talento excepcional de José Saramago, Gore Vidal, Edgard Alan Poe, Jorge Luís Borges, Cervantes e mais uma meia dúzia de bons escritores.

Não tenho também o talento mediano e super estimado de Jorge Amado (escritor de um tema só, a Bahia), sua esposa Zélia Gattai e mais algumas dezenas de médios escritores.

Certamente se eu ralasse muito escreveria algo muito mais palatavel do escrevem J.K Rowling, Paulo Coelho, (mas ai, um chimpanzé também escreveria se treinado e bem recompensado), mas o que adianta escrever melhor que escritores notoriamente ruins?

Não sei bem por que algumas pessoas tem o impulso de escrever se ver imagens é muito mais revelador e não requer usar muito da parca inteligência que nós seres humanos dispomos. Mas sei porque eu escrevo.

Escrevo compulsivamente e não apenas neste espaço porque me preenche a alma. As palavras quando bem colocadas tem o poder de fazer as pessoas viajarem, imaginarem lugares nunca antes visitados ou situações que provavelmente jamais serão vividas. As palavras tem a força de fazer a partilha de sentimentos que o escritor propõe se tornar mais densa, mais real exatamente porque ao contrario da imagem não entrega estes sentimentos prontos para degustação as palavras exigem o tempero da imaginação do colocar-se no lugar do escritor.

Escritores que brigam com a língua como eu, fazem o caminho da leitura tornar-se muito mais espinhoso, os erros gramaticais seriam como pedras colocadas em lugares estratégicos prontas a fazer o leitor tropeçar. Os parcos conhecimentos das palavras que me fazem usar um palavreado nada mais que comum e me impede de brincar com as mesmas utilizando sinonimos ou mesmo palavras pouco usuais são outro empecilho a leitura que reconheço em meu texto e aqui me desculpo por tais erros.

Mas escrever antes de mais nada, me liberta. Preenche minha alma com eu disse acima mas também me esvazia de sentimentos revoltos, confusos, alegrias, tristezas, tudo, enfim, que habita dentro de minha pessoa. Escrever me faz livre de mágoas, me libera de angustias, me acalanta em momentos de solidão, me faz forte, me regenera.

Escrever expia as minhas culpas, alimenta o meu espírito e me faz pronto para recomeçar o próximo texto, a próxima etapa da minha vida que se desdobra em um sem número de páginas. Vida essa em que em muitos momentos sou mero passageiro, um expectador dentro de minha própria história, ora desatento de mim mesmo, ora fascinado com os rumos que tomo.

Quando escrevo me sinto submerso em um mundo totalmente diferente do mundo que habitamos é como se estivesse no fundo de um rio, ouvindo apenas o barulho surdo da pressão da água em meus tímpanos mas também fascinado com a coloração que cada palavra pode tomar, o sentido que o meu texto vai tomar a escolha da melhor palavra o jogo das letras...

Quando volto a tona o sentimento geralmente é de frustração porque sempre me parece que poderia ter usado uma palavra diferente, meu texto poderia ter fluido de forma mais agradável, enfim, poderia ter feito melhor.

Essa inquietação me move e me deixa atento para a busca do melhor que há em mim para extrair algo que seja menos cansativo que este texto que aqui acaba e pelo qual me desculpo.

É isso.

Ouvindo: Debora Duarte

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