Eu tive uma irmã que morreu
Eu tinha 10 anos. Minha irmã do meio, sete e minha irmã mais nova a que morreu 3 aninhos apenas. Ela chamava-se Fernanda. o Pai dela, queria Maria Aparecida, minha mãe, que devia estar sóbria, obviamente rejeitou um nome besta como esse (com todos o respeitos aos milhares de Cidinhas que existem).
Não foi uma filha planejada. Minha mãe não queria mais ter filhos mas ela veio. Eu me lembro perfeitamente porque curtia muito aquele pedacinho de gente, acho que fui o que mais curti em casa e eu tinha planos de faze-la minha companheira de aventuras quando ela ficasse grande.
Lembro da festinha de 1 ano que ela teve. Engraçado que não lembro das minhas próprias festas, que foram bem poucas, mas a de um aninho da Fê nunca saiu da minha memória. Tinha guaraná Atanrtica Caculinha, tinha Coca Cola, tinha brigadeiro, lanches, e óbviamente um bolo. Mas o bolo era um capitulo a parte: Lindo, me lembro que tinha a Tinker Bell desenhada e umas cerejas vermelhas... grandes pra chuchu. Minha mãe se esforçou pra fazer essa festa hoje comprendo que pelo fato de que a Fê era filha do único homem que ela amou na vida.
A Fê me alegrava. Eu ia pra escola quetendo voltar logo pra brincar com ela. Eu fala com ela sobre minhas pequenas desventuras e ela ficava sorrindoe babando pra mim.
Acontece que quando eu tinha 10 anos houve uma epidemia de Meningite Meningocócica que foi encoberta pelo governo Militar da época. mas matou milhares de pessoas, principalmente crianças.
Peguei a tal doença e sei lá porque sobrevivi. Claro que Deus tme um estranho senso de humor, porque teria privado a humanidade de minha insignificante e absolutamente desnecessária cia se tivesse permitido minha morte aos 10 anos, mas eu sobrevivi. Segundo minha mãe os médicos disseram a ela que se eu sobrevivesse ficaria com sequelas, como surdez, cegueira ou ambas, mas fiquei meio retardado apenas.
Voltei para casa e 1 mês depois minha irmã pegou a mesma doença. Ela não teve a mesma sorte e 10 dias depois seu coraçãozinho parou de bater. Meu mundo ruiu. Uma criança de 10 anos não sabe lidar com a morte, e eu não estava pronto pra ter a minha Fê retirada de mim. Mas, como em uma brincadeira de esconde-esconde em que a gente diz "pronto ou não, lá vou eu!" eu estando pornto ou não ela se foi. Se foi e levou minha alegria. E a de minha mãe.
Minha mãe nunca mais foi a mesma. Mesmo sendo cristã começou a beber. Virou alcoolatra mesmo o que só aumentou minha confusão sobre o porque eu estava vivo no mundo. Sem pai, sem irmã e com uma mãe que ia na igreja pela manhã e enxugava garrafa de bebida a tarde/noite.
Ela nunca me disse com todas as letras, mas sei que certamente em uma escolha de Sofia, eu seria o escolhido pra morrer e nunca culpei minha progenitora por pensar assim afinal temos que escolher os melhores e memso aos 3 anos, minha irmã era melhor que eu. As mães sabem no que os filhos vão dar e não via muito futuro em mim e compreendia que minha irmã seria brilhante.
Mamãe também me culpava por ter trazido o bacilo da Meningite pra casa, mas dessa culpa sou obrigado a me eximir afinal era uma E-PI-DE-MIA ou seja o que eu poderia fazer contra ela?
Nunca superei esta perda e até hoje Fê vem me visitar nos meu sonhos e o que é intrigante é que mesmo passados 27 anos de sua trágica partida, ainda consigo divisar seu rosto lindo e seus cabelos cacheados que minha mãe chamava de seu campo de trigo particular, perfeitmente em minha mente. Quando ela ria e me chamava de davizinho eu sei lá porque minha vida ganhava outra dimensão e hoje, memso estando acostumado a perdas terríveis eu não vacilo em dizer que teria dado minha vida pela dela se isso fosse possível.
Sei que seriamos grandes amigos hoje em dia e contariamos nossos segredos um para o outro e sempre ligariamos no meio da noite apenas pra saber se tudo estava ok... Sei que quando eu tivesse vontade de chorar como agora poderia ligar para ela ou ir ao seu encontro e chorar em seu ombro e ela poderia fazer o mesmo comigo, porque seriamos irmãos que realmente teriamos amor um pelo outro.
Fernanda se foi sem conhecer o lado mal da humanidade e isso em certa medida me conforta, mas eu queria que ela estivesse aqui, ao meu lado, senod minha amiga, me consolando me dizendo o que fazer em momentos de absoluta solidão me dizendo como o mundo ainda pode valer a pena...
É muito dolorido me lembrar de minha irmã mas esta noite novamente sonhei com ela e mesmo sabendo que ela repousa aguardando a volta de Jesus, eu queria tanto poder abraça-la agora...
É isso.
Ouvindo: Engraçado, mas agora só ouço no fundo de minha mémoria uma vozinha linda, meiga, me chamando "davizinho"...
Não foi uma filha planejada. Minha mãe não queria mais ter filhos mas ela veio. Eu me lembro perfeitamente porque curtia muito aquele pedacinho de gente, acho que fui o que mais curti em casa e eu tinha planos de faze-la minha companheira de aventuras quando ela ficasse grande.
Lembro da festinha de 1 ano que ela teve. Engraçado que não lembro das minhas próprias festas, que foram bem poucas, mas a de um aninho da Fê nunca saiu da minha memória. Tinha guaraná Atanrtica Caculinha, tinha Coca Cola, tinha brigadeiro, lanches, e óbviamente um bolo. Mas o bolo era um capitulo a parte: Lindo, me lembro que tinha a Tinker Bell desenhada e umas cerejas vermelhas... grandes pra chuchu. Minha mãe se esforçou pra fazer essa festa hoje comprendo que pelo fato de que a Fê era filha do único homem que ela amou na vida.
A Fê me alegrava. Eu ia pra escola quetendo voltar logo pra brincar com ela. Eu fala com ela sobre minhas pequenas desventuras e ela ficava sorrindoe babando pra mim.
Acontece que quando eu tinha 10 anos houve uma epidemia de Meningite Meningocócica que foi encoberta pelo governo Militar da época. mas matou milhares de pessoas, principalmente crianças.
Peguei a tal doença e sei lá porque sobrevivi. Claro que Deus tme um estranho senso de humor, porque teria privado a humanidade de minha insignificante e absolutamente desnecessária cia se tivesse permitido minha morte aos 10 anos, mas eu sobrevivi. Segundo minha mãe os médicos disseram a ela que se eu sobrevivesse ficaria com sequelas, como surdez, cegueira ou ambas, mas fiquei meio retardado apenas.
Voltei para casa e 1 mês depois minha irmã pegou a mesma doença. Ela não teve a mesma sorte e 10 dias depois seu coraçãozinho parou de bater. Meu mundo ruiu. Uma criança de 10 anos não sabe lidar com a morte, e eu não estava pronto pra ter a minha Fê retirada de mim. Mas, como em uma brincadeira de esconde-esconde em que a gente diz "pronto ou não, lá vou eu!" eu estando pornto ou não ela se foi. Se foi e levou minha alegria. E a de minha mãe.
Minha mãe nunca mais foi a mesma. Mesmo sendo cristã começou a beber. Virou alcoolatra mesmo o que só aumentou minha confusão sobre o porque eu estava vivo no mundo. Sem pai, sem irmã e com uma mãe que ia na igreja pela manhã e enxugava garrafa de bebida a tarde/noite.
Ela nunca me disse com todas as letras, mas sei que certamente em uma escolha de Sofia, eu seria o escolhido pra morrer e nunca culpei minha progenitora por pensar assim afinal temos que escolher os melhores e memso aos 3 anos, minha irmã era melhor que eu. As mães sabem no que os filhos vão dar e não via muito futuro em mim e compreendia que minha irmã seria brilhante.
Mamãe também me culpava por ter trazido o bacilo da Meningite pra casa, mas dessa culpa sou obrigado a me eximir afinal era uma E-PI-DE-MIA ou seja o que eu poderia fazer contra ela?
Nunca superei esta perda e até hoje Fê vem me visitar nos meu sonhos e o que é intrigante é que mesmo passados 27 anos de sua trágica partida, ainda consigo divisar seu rosto lindo e seus cabelos cacheados que minha mãe chamava de seu campo de trigo particular, perfeitmente em minha mente. Quando ela ria e me chamava de davizinho eu sei lá porque minha vida ganhava outra dimensão e hoje, memso estando acostumado a perdas terríveis eu não vacilo em dizer que teria dado minha vida pela dela se isso fosse possível.
Sei que seriamos grandes amigos hoje em dia e contariamos nossos segredos um para o outro e sempre ligariamos no meio da noite apenas pra saber se tudo estava ok... Sei que quando eu tivesse vontade de chorar como agora poderia ligar para ela ou ir ao seu encontro e chorar em seu ombro e ela poderia fazer o mesmo comigo, porque seriamos irmãos que realmente teriamos amor um pelo outro.
Fernanda se foi sem conhecer o lado mal da humanidade e isso em certa medida me conforta, mas eu queria que ela estivesse aqui, ao meu lado, senod minha amiga, me consolando me dizendo o que fazer em momentos de absoluta solidão me dizendo como o mundo ainda pode valer a pena...
É muito dolorido me lembrar de minha irmã mas esta noite novamente sonhei com ela e mesmo sabendo que ela repousa aguardando a volta de Jesus, eu queria tanto poder abraça-la agora...
É isso.
Ouvindo: Engraçado, mas agora só ouço no fundo de minha mémoria uma vozinha linda, meiga, me chamando "davizinho"...
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