Um chaveiro em forma de patinho amarelo ou porque vou medicar meu DDA

Em um espaço de uma semana perdi minha carteira e meu aparelho de telefone celular. Já perdi as contas de quantas carteiras e quantos celulares eu perdi.

Perder coisas é só uma das inumeras caracteristicas de quem tem DDA (Disturbio do Déficit de Atenção), pessoas como eu são tachadas de chatas, infantis, loucas de pedra além de terem acessos de fúria que podem ser potencialmente perigosos.

Comprei um chaveiro a um tempo átras para Sintia. Um patinho amarelo, que cada vez que se aperta solta um quá quá. Mas o mais bacana é aperta-lo seguidamente, porque ele se descontrola e parece que está sob o efeito de algum psicotrópico. Esse é um pensamento insano, digno de quem tem DDA mas é um pensamento para mim tão inevitável quanto respirar.

Eu tento me controlar. é difícil, porque eu olho para o tal patinho e não entendo porque as pessoas não se entusiasmam com o "duck out of control" como eu o chamo. Eu realmente poderia passar horas fazendo a mesma coisa e me divertindo cada vez que ele gritasse de forma desordenada.

Isso não faz de mim uma pessoa pior. Tenho, sem falsa modéstia uma inteligência bem acima da média e o que é pior, tenho total consciência disso. O que faz de mim uma pessoa pior é o fato de que o DDA me limita.

Passo a imagem de lunático, perco coisas esqueço até mesmo o gás do meu apto ligado, mas nada disso eu faço por mal ou para minha diversão, faço porque uma série de instruções neurais equivocadas são repassadas ao meu cérebro e quando vejo meus pensamentos fazem meu corpo e minha vontade reagirem de forma que eu mesmo classifico como tresloucada.

Agora, se eu me classifico como maluco, imagina as pessoas a minha volta. Ninguém tem a obrigação de enteder porque pego os palitinhos plásticos de adoçar café do escritório e os uso como instrumentos músicais e depois os quebro impiedosamente. Na visão das pessoas isso é algo que crianças de 6 anos fazem, não adultos de 38, mas eu não consigo ser diferente. Acreditem, isso me faz sofrer. E muito.

Eu sei o quanto torno a vida das pessoas a minha volta um inferno com minhas manias. Eu acordo recitando pegadinhas do Mução e ninguém em sã consciência, nem o próprio mução, faz isso. é uma loucura, madness total.

O chaveiro em forma de patinho amarelo é só a ponta do iceberg da minha quase insanidade e o sofrimento que trago a mim e aos próximos de mim, tem que se findar.

Estava na igreja hoje a noite quando tive uma vontade incontrolável de aperta-lo,de ve-lo gritar acender sua luzinha (uma luzinha roxa muito doida) e quis pegar o chaveiro da bolsa da Sintia e sair do culto para ficar apertando-o no pátio da igreja.

Isso não faz o menor sentido para ninguém, nem para mim mesmo, mas é como um drogado que se droga mesmo sabendo do mal que faz para si. As vezes tehno vontade de chorar de raiva por fazer coisas desse tipo. Morro de medo quando vou visitar clientes e a visita se alonga, pois a possibilidade de perder o controle e começas a rasgar papéis, quebrar clipes ou outras coisas que adultos não fazem é imensa.

Por tudo isso decidi fazer algo que sempre me recusei terminantemente: Vou me medicar. Existem controlodores das funções neurais que equilibrama qui mica do cérebro e podem me deixar digamos, mais tranquilo.

Isso vai apagar boa parte de minha personalidade de minha criatividade de minha ânsia pelo novo, d eminha curiosidade natural, mas vou abrir mão de todas essas coisas por um pouco de aceitação tanto deminha familia como da sociedade em geral.

Talvez eu esteja ficando careta aos quase 40 anos, ou talvez eu esteja enfim entendendo que o DDA é sim uma doença e deve ser tratado como tal. Para mim sempre foi muito melhor achar que isso é um charme, algo que me diferencia das outras pessoas positiviamente. Não é.

Não posso ficar dizendo a pessoas adultas como eu que sou o "homem pisca alerta", ou ficar batucando no ar uma melodia que só existe em minha mente ou mesmo usar meu senso critico de forma a menosprezar a opinião alheia (mesmo que minhas opiniões geralmente sejam mais elegantes).

Hoje, uma nova geraçao de remédios para o DDA são mais eficazes no tratamento e menos agressivos nos efeitos colatarais do que a geração anterior em que se destaca a Ritalina, escolher o remédio certo é crucial para continuar a ser eu mesmo ao menos em parte. Não queria na verdade me domesticar, queria apenas deixar a fera que há dentro de mim guardada e conseguir criar uma imagem para consumo externo que agradasse as pessoas e não me fizesse de todo infeliz.

É isso.

Ouvindo: Novo Tom

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