Eu não me engano comigo mesmo (Flerte Fatal)
Não, eu não me engano. Eu ter um teto sobre minha cabeça, ter uma profissão que eu curto, ter algum dinheiro pra gastar de vez em quando, um carro, cobertores que me protegem do inverno entre outras coisas não são fruto de um cenário lógico na vida de quem tem 38 anos, são puro acaso e sorte.
Uma pessoa com eu, desvairada, maluca mesmo, tem muito mais chances de terminar seus dias embaixo de uma arquise do que em um teto minimamente confortável. Tive sorte, muita sorte.
Tive pessoas que em momentos chaves de minha vida se afeiçoaram a mim sei lá porque e me ajudaram. Tenho neste momento uma esposa que me ama e alguns projetos que me fazem seguir em frente, mas decididamente não me vangloreio e nem me encho de mérito próprio por ter algumas poucas coisas.
Sim, eu sei bem quem eu sou e sei do meu potencial e de minha inteligência (e falta de modéstia também) mas a rua é coalhada de moradores sem teto brilhantes, mais que pensa que é seria apenas estatistica.
Eu flerto com o abismo o tempo todo e talvez uma hora eu caia. Por hora, estou um pouco mais longe da borda, mas nunca fico o suficiente longe para estar livre de uma queda, é de minha natureza. Olhar para baixo, a vertigem que esse olhar provoca, a possibilidade de voar mesmo que por breves segundos me chamar o tempo todo. Talvez eu caia, talvez não.
Se eu cair, não será por falta de pessoas que me querem bem, será porque eu mesmo não me levo muito em conta. Mas se eu cair também é muito porque a única pessoa que eu queria que me queresse realmente bem eu nem sei quem é. E a cada dia me convenço mais que jamais saberei.
Dias dos Pais sempre me mostram quem eu realmente sou. Por trás de toda a minha suposta inteligência privilegiada, por trás de toda a minha empáfia, de todo amor que sinto por mim mesmo está só um garoto que ano após ano faiz presentes na escola para dar aos tios, ou sei lá quem porque meu Pai que nem imagino quem seja, nunca quis receber um feito por minhas mãos.
Álias acho que as escolas deveriam rever essa coisa boba de fazer crianças cirarem presentes para seus pais, porque isso machuca profundamente as que como eu jamais terão seus pais ao lado para entregar-lhe a porcaria do presente.
De qualquer maneira, enquanto minha sorte durar e eu tiver pessoas que me amam a me apoiar continuarei confortavelmente instalado em frente ao meu notebook escrevendo bobagens que ninguém se interessa em ler comendo esfihas que chegarão em minutos e durmindonuma cama quente e confortável.
Quanto ao inutil de meu Pai, mais uma vez quero agradecer seu sumisso e decorrente estrago em minha vida. Esse tal flerte a que me refiro, talvez um dia seja realmente fatal.
É isso.
Ouvindo: Ira!
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