Não entende mesmo?

Li na minha timeline do twitter o seguinte post: " Não entendo coo em um mundo com internet e chocolate alguém se vicie em drogas".

Já li muita bobagem nos meus 38 anos de vida, mas posso facilmente colocar essa no meu top 5. Se foi pra fazer graça, não levou em conta o sofrimento de quem vive como infernos das drogas na familia. Se realmente quem postou pensa isso, tem a mente mais rasa que uma colher de chá. Se não tinha o que falar era melhor ter calado.

As drogas destroem uma familia, as drogas são o próprio inferno na vida de qualquer pessoa e em grande medida o viciado leva junto todos os que o amam.

Drogas são um caso de saúde pública e no Brasil não são levadas a sério. Nunca serão e nós, os que temos esse problema temos que administra-lo segundo nossas próprias condições e experiências.

O maior problema é que as pessoas que não são viciadas em qualquer droga que seja, nunca vão entender que o viciado não é um sem vergonha, um sem carater ou uma pessoa de indole necessáriamente má. É antes de mais nada um DOENTE. Claro que não é da conta de ninguém o problema dos outros mas frases deste tipo e essa é apenas um exemplo pinçado, dentre tantos possiveis, mostram bem o despreparo da sociedade em lidar com este problema.

Nunca tive tendência (e dou graças a Deus todos os dias) a ter qualquer vício quimico, mas dou minha completa solidariedade a quem os tem. Será mesmo que alguém gosta de viver na Cracolândia apenas para ter acesso fácil ao crack? Será que algum viciado se sente bem após o baque ao lembrar que roubou seus familiares ou mesmo estranhos para comprar uma dose?

Nós, os não viciados temos o direito de fazer chacota com tem um problema de saúde? Se alguém na minha familia ou na sua que lê tivesse câncer, achariamos engraçado se um fulano fizesse uma piada com o estado terminal de nosso ente querido? Pois bem, quem é viciado ou tem um viciado na familia, convive com um câncer cronico que talvez jamais se cure e o mãximo que possa fazer é tentar um controle de danos.

Comparar drogas a internet e chocolate coisas, banais, triviais mesmo em nosso mundo é ter o espirito voltado a coisas descabidas e o que é pior, não pensar na dor do próximo.

É muito bom levarmos uma vida confortável, ter um bom trabalho, uma base sólida de amigos, um amor, um carro, todas as temporadas de House pra assistir (é claro que o vicio de house em Vicodin é um charme, não um pesadelo...) mas se não temos, ou se em algum momentos deixamos de pensar em ter compaixão pelos que sofrem, do que vale tudo isso?

As vezes queremos, (eu mesmo sempre quero) ser mais espirituosos ou "cool") do que realmente somos e nos saimos com tiradas infames (provavelmente do meu top 5, 4 seja minhas próprias besteiras), mas se não temos o menor cuidado em não ofender suscetibilidades talvez estejamos sendo mais cruéis do que espirituosos e a velocidade da internet e seu formato que torna universal em segundos algo que foi dito localmente, deveria nos fazer pensar melhor no que escrevemos quando o assunto é serio e pode trazer dor e sofrimento.

É isso.

Ouvindo: Pato Fu

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