Fui, vi e venci, mas queria mesmo era ter celebrado



Hoje eu fui, vi e venci. No maior lançamento imobiliario do ano em SP, eu "performei" 4 unidades. "Performei" é um termo tosco como quase tudo na profissão que escolhi, usado para dizer que alguém cumpriu o seu papel.

Enquanto muitos cliente e corretores ficaram furiosos por não terem conseguido comprar/vender, eu posso me orgulhar de ter vendido 4 unidades. Sem chorar preço, sem lamurias com o cliente mas com uma dose de tensão inimaginável para quem não é corretor o mais importante foi fazer meu cliente ficar satisafeito com seu investimento.

Em uma sentada, vendi muito mais do que 80% dos corretores da FM venderão em um ano completo e isso me enche de alegria. Claro que para alguém naturalmente arrogante e pavão como eu, alguém que quer sempre mais, isso não é nada e ja me esqueci dessa venda e ´me preparo para as próximas.

Hoje vi brigas, gritos, gente chorando de raiva, de alegria, gente se mancumunando com outras gentes que nem gosta muito, gente desesperada atrás de algum conchavo salvador, vi de tudo que minha profissão apresenta de melhor e pior.

Vi satisfação de clientes assinando seus contratos, certos do bom negócio que fizeram. Vi a decepção de outros por não poderem fazer o mesmo vi pais de familia tristes por não poderem colocar dinheiro em seus bolsos e vi o meu bolso ficar mais estufadinho.

Poderei produzir mais dois cds poderei fazer algumas outras coisas e tudo isso é bom demais mas mesmo com tudo que vi, tudo que poderei fazer num futuro próximo o que mais me impressionou foi o caminho que fiz pela manhã.

Desci do ônibus na Rua da Consolação e peguei a Pça Roosevelt. Lá existem vários pequenos teatros como o Espaço Parlapatões que mesmo fechado, com suas portas cerredas emitia um som de festa que me cativou. Pessoas estavam lá dentro, rindo, barulhos de copos, as 8:00 da manhã, e mesmo sem ve-las pude perceber o espirito livre de cada uma delas, sem a tensão que me acometia antes de chegar ao plantão, pessoas rindo em um Domingo de Sol as 8:00 da manhã em um lugar mega degradado do Centro de Sp. Eu desejei não ser corretor e estar la dentro com eles celebrando sei lá o que. A vida talvez.

A felicidade custa tão barato! Por mais clichê que isso seja, (e bota clichê nisso) ela realmente custa barato demais, sendo de graça na imensa maioria das vezes. Pra vender hoje eu tive que gritar, tive que ouvir reprimendas, tive que pressionar pessoas e com raros momentos de excessão fiquei em uma caverna escura e fria enquanto (o sub solo do plantão) enquanto os compradores ouviam música ambiente comiam comidinhas mil entre outros pequenos mimos.

Talvez se eu não quisesse ganhar tanto dinheiro eu teria mais tempo pra ser feliz, mas ao mesmo tempo sei que seria infeliz por não poder fazer as coisas que hoje faço exatamente porque ganho dinheiro.

É um paradoxo com o qual não quero enão vou me esticar, sendo que a única coisa que eu posso dizer é a seguinte:

Fui, vi e venci. Mas eu preferia e muito, ter celebrado!

É isso.

Ouvindo Celebrate You, música mega bacana de Steven Curtis Chapman

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