Sobre a minha irmã que morreu
Eu tive, ja falei sobre isso por aqui, uma irmã que morreu maisnou menos com 2 anos de idade, dois anos e pouquinho a Fernanda.
Eu tenho um cabelo todo zuado a Fê tinha um cabelo lindo, muito loiro, todo cacheado, que minha mãe zelosamente cuidava todos os dias. É engraçado o nível de percepção que uma pessoinha de oito anos pode atingir porque era meso sendo muito claro o amor incondicional que minha mãe devotava a ela eu não deveria perceber que ela simplesmente deixou de gostar de mim por aquela época.
Eu achava na minha imaginação infantil que era porque ela era uma princesa linda e eu um menino meio desengonçadinho, feinhoooo de dar dó, sem pai, meio que morando na casa da minha mãe e o atual marido dela porque eu tinha que morar em algum lugar não é mesmo?
O pai da minha irmã foi a amor da vida da minha mãe. Iamos a igreja e eramos relativamente felizes mesmo eu sempre ficando meio triste noite após noite porque eu tinha medo do escuro e não me era permitido dormir de luz acesa. Não, nunca nenhum monstro me atacou saindo debaixo da cama, mas no quarto ao lado eu ouvia (acho que por conta das paredes finas, jamais por pura crueldade inconsciente da minha progenitora) minha mãe contar histórias lindas pra minha irmã até ela adormecer.
Mas eu e a Fê nos amavamos sabe? A gente brincava junto o dia todo eu ficava ansioso pra chegar da escola, jogar minha mochila no quarto e ir brincar com ela. Eu conversava com ela sobre tudo que uma criança de 8 anos pode conversar. Falava sobre como eu tinha jogado bem futebol, como eu sempre era escolhido primeiro no time e tenho a impressão que até hoje a única pessoa que me dava real atenção, que me ouvia sem me julgar ou criticar era minha irmazinha querida.
Acontece que houve um surto de meningite em São Paulo e eu infelizmente fui contaminado. Cara, era simples. Seu tivesse morrido no hospital não teria voltado pra casa e não teria contaminado minha irmã. Mas não, como sempre eu faço tudo errado, teimei e sobrevivi.
Minha irmã, um mês depois, morreu de meningite. Além do buraco em minha alma ganhei de brinde o ódio eterno do marido da minha mãe e se não o ódio o desprezo da própria. Minha mãe veladamente e muitas vezes abertamente mesmo me culpava. Sei que talvez seja uma forma que ela encontrou de minorar a dor dela, mas poxa, eu tinha 8 anos apenas.
Hoje fazem 31 anos que isso ocorreu. Eu lembro que tinhamos uma árvore de Natal bem bonita em casa e lembro bem que eu tinha pedido um autorama de presente. O marido da minha mãe a proibiu de me dar o autorama que já estava comprado por ter trazido a desgraça a nossa casa. Minha mãe deu o autorama a uma criança de nossa rua e eu só vim brincar de autorama o ano passado no salão imobiliario que tinha sei lá porque, uma pista montada. A julgar pelo meu desempenho ela fez bem.
Na árvore tinha uma boneca também, que obviamente seria d Fê. Uma boneca que fazia xixi e tomava mamadeira. Eu lembro de ter pego essa boneca e abraçado com muita dor no coração e quando o pai da Fê viu me deu uma surra que me deixou desacordado. Sempre fui cercado por incompetentes, se tivesse me matado, teria me poupado tanta coisa... Bom, eu acordei da surra, ganhei uma rabanada, um copo de coca cola (sempre ela!) e fui dormir.
Engraçado que sempre sonho com minha irmã e ela sempre me chama de Davizinho, exatamente com a mesma voz doce de quando era criança. Claro que trata-se de projeção da minha mente, mas quando sonho com ela, ela sempre se preocupa em saber como estou e pergunta se ainda sou escolhido em primeiro lugar para jogar futebol. Não, não sou.
Eu sei que ela não voltará e sei que nos meus sonhos, que sempre são curtos é minha mente que me faz o favor de traze-la por alguns instantes, mas são momentos tão felizes que as vezes penso em tomar algum sonifero muito forte e dormir dias seguidos pra tentar perpetuar um sonho que só me faz bem. Sei que não dá então deixo a ideia de lado.
Minhã irmã, de pouco mais de dois anos, com seus cabelos cahceados, loiros, seus olhos lindos, olhava para mim feinho e desengonçado e me amava. Amava da forma mais pura e sincera que alguém poderia me amar. Ela se foi, minha felicidade ou boa parte dela, se foi junto e mesmo 31 anos após eu daria minha vida para ouvia-la falar mais uma vez: Davizinhooooo
É isso.
Ouvindo: NADA.
Eu tenho um cabelo todo zuado a Fê tinha um cabelo lindo, muito loiro, todo cacheado, que minha mãe zelosamente cuidava todos os dias. É engraçado o nível de percepção que uma pessoinha de oito anos pode atingir porque era meso sendo muito claro o amor incondicional que minha mãe devotava a ela eu não deveria perceber que ela simplesmente deixou de gostar de mim por aquela época.
Eu achava na minha imaginação infantil que era porque ela era uma princesa linda e eu um menino meio desengonçadinho, feinhoooo de dar dó, sem pai, meio que morando na casa da minha mãe e o atual marido dela porque eu tinha que morar em algum lugar não é mesmo?
O pai da minha irmã foi a amor da vida da minha mãe. Iamos a igreja e eramos relativamente felizes mesmo eu sempre ficando meio triste noite após noite porque eu tinha medo do escuro e não me era permitido dormir de luz acesa. Não, nunca nenhum monstro me atacou saindo debaixo da cama, mas no quarto ao lado eu ouvia (acho que por conta das paredes finas, jamais por pura crueldade inconsciente da minha progenitora) minha mãe contar histórias lindas pra minha irmã até ela adormecer.
Mas eu e a Fê nos amavamos sabe? A gente brincava junto o dia todo eu ficava ansioso pra chegar da escola, jogar minha mochila no quarto e ir brincar com ela. Eu conversava com ela sobre tudo que uma criança de 8 anos pode conversar. Falava sobre como eu tinha jogado bem futebol, como eu sempre era escolhido primeiro no time e tenho a impressão que até hoje a única pessoa que me dava real atenção, que me ouvia sem me julgar ou criticar era minha irmazinha querida.
Acontece que houve um surto de meningite em São Paulo e eu infelizmente fui contaminado. Cara, era simples. Seu tivesse morrido no hospital não teria voltado pra casa e não teria contaminado minha irmã. Mas não, como sempre eu faço tudo errado, teimei e sobrevivi.
Minha irmã, um mês depois, morreu de meningite. Além do buraco em minha alma ganhei de brinde o ódio eterno do marido da minha mãe e se não o ódio o desprezo da própria. Minha mãe veladamente e muitas vezes abertamente mesmo me culpava. Sei que talvez seja uma forma que ela encontrou de minorar a dor dela, mas poxa, eu tinha 8 anos apenas.
Hoje fazem 31 anos que isso ocorreu. Eu lembro que tinhamos uma árvore de Natal bem bonita em casa e lembro bem que eu tinha pedido um autorama de presente. O marido da minha mãe a proibiu de me dar o autorama que já estava comprado por ter trazido a desgraça a nossa casa. Minha mãe deu o autorama a uma criança de nossa rua e eu só vim brincar de autorama o ano passado no salão imobiliario que tinha sei lá porque, uma pista montada. A julgar pelo meu desempenho ela fez bem.
Na árvore tinha uma boneca também, que obviamente seria d Fê. Uma boneca que fazia xixi e tomava mamadeira. Eu lembro de ter pego essa boneca e abraçado com muita dor no coração e quando o pai da Fê viu me deu uma surra que me deixou desacordado. Sempre fui cercado por incompetentes, se tivesse me matado, teria me poupado tanta coisa... Bom, eu acordei da surra, ganhei uma rabanada, um copo de coca cola (sempre ela!) e fui dormir.
Engraçado que sempre sonho com minha irmã e ela sempre me chama de Davizinho, exatamente com a mesma voz doce de quando era criança. Claro que trata-se de projeção da minha mente, mas quando sonho com ela, ela sempre se preocupa em saber como estou e pergunta se ainda sou escolhido em primeiro lugar para jogar futebol. Não, não sou.
Eu sei que ela não voltará e sei que nos meus sonhos, que sempre são curtos é minha mente que me faz o favor de traze-la por alguns instantes, mas são momentos tão felizes que as vezes penso em tomar algum sonifero muito forte e dormir dias seguidos pra tentar perpetuar um sonho que só me faz bem. Sei que não dá então deixo a ideia de lado.
Minhã irmã, de pouco mais de dois anos, com seus cabelos cahceados, loiros, seus olhos lindos, olhava para mim feinho e desengonçado e me amava. Amava da forma mais pura e sincera que alguém poderia me amar. Ela se foi, minha felicidade ou boa parte dela, se foi junto e mesmo 31 anos após eu daria minha vida para ouvia-la falar mais uma vez: Davizinhooooo
É isso.
Ouvindo: NADA.
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