Sobre o suicidio
Antes de mais nada sou responsável apenas pelos meus atos. Não dou a minima para como interpretam o que escrevo então se alguém sentir-se incomodado com o tema, não leia, porque é sobre suicidio mesmo, que vou falar.
Não acho um ato de covardes. Acho que nossa moral judaico-cristã que nos faz ver assim. Covarde por que? Sua vida tornou-se um fato excruciante mas é muito mais "corajoso" seguir em frente? Num mundo louco como o nosso ainda somos obrigados a todo dia querer assobiar uma canção bonita e alto astral?
Para alguns a vida não tem graça de ser vivida. Pode ser que seja em momentos, pode ser que seja sempre mas para essas pessoas a morte parece uma dama bastante atraente. Eu nunca me imaginei com tendências suicidas, mas deixei de descartar a ideia como sendo de pessoas fracas.
Tenho tolerância zero a dor, então admiro os que escolhem formas doloridas de morrer. Eu certamente preferiria em um caso hipotético algo rápido e indolor. Difícil, mas não impossível.
A morte é um alento muitas vezes. Uma vida fracassada pode ser mudada aos 15, ao 25, quiçá aos 30. Passando disso, fudeu! Ou você fica estagnado na própria mediocridade e ridiculice (essa palavra provalvemente nem exista) ou você piora ainda mais. Num cenário em que o melhor a fazer é lutar para continuar ruim não parece razoavelmente lógico que seria melhor morrer?
A idéia de um Deus que nos ama, funciona bem para alguns (eu incluso) mas não para todos. Na verdade, pensar em Deus pode acelerar o processo de resolução em matar-se uma vez que pode-se perguntar que Deus é esse que vê meu sofrimento e nada faz. Não penso assim, mas em absoluto condeno ou mesmo julgo quem pensa.
A dor, o pranto, seja por uma filha que se perde, seja por um amor não correspondido, só pode ser medida por quem a sofre. E sempre temos aqueles chavões prontos do tipo "bola pra frente", "a vida continua", um amor se cura com outro" entre outras parvonices. Só eu sei a dor que me dilacera e muitas vezes ela é tão profunda, tão cortante, que continuar a viver é apenas prolonga-la.
A vida pode te oferecer muitos tipos de lenitivos para a dor, mas a maioria deles não passa de uma espécie de ópio que amortece em alguns momentos e se usado novamente e novamente vai sempre requerer uma dose maior para fazer efeito, tal qual as drogas reais.
A vida é ensolarada para muitos, já para outros é como se vivessem no centro de uma floresta fechada onde o sol chega em raios quase mortos. Eu não consigo repetir idéias de auto ajuda e me contentar com elas e muitas pessoas também não conseguem, porque sempre queremos mais da vida.
Na mente do suicida, talvez o ápice da vida, seja a morte. E a ideia, por mais disparatada que seja hoje em dia tem minha total simpatia.
É isso, ao menos por hoje, é isso.
Ouvindo: Janet Paschoal
Não acho um ato de covardes. Acho que nossa moral judaico-cristã que nos faz ver assim. Covarde por que? Sua vida tornou-se um fato excruciante mas é muito mais "corajoso" seguir em frente? Num mundo louco como o nosso ainda somos obrigados a todo dia querer assobiar uma canção bonita e alto astral?
Para alguns a vida não tem graça de ser vivida. Pode ser que seja em momentos, pode ser que seja sempre mas para essas pessoas a morte parece uma dama bastante atraente. Eu nunca me imaginei com tendências suicidas, mas deixei de descartar a ideia como sendo de pessoas fracas.
Tenho tolerância zero a dor, então admiro os que escolhem formas doloridas de morrer. Eu certamente preferiria em um caso hipotético algo rápido e indolor. Difícil, mas não impossível.
A morte é um alento muitas vezes. Uma vida fracassada pode ser mudada aos 15, ao 25, quiçá aos 30. Passando disso, fudeu! Ou você fica estagnado na própria mediocridade e ridiculice (essa palavra provalvemente nem exista) ou você piora ainda mais. Num cenário em que o melhor a fazer é lutar para continuar ruim não parece razoavelmente lógico que seria melhor morrer?
A idéia de um Deus que nos ama, funciona bem para alguns (eu incluso) mas não para todos. Na verdade, pensar em Deus pode acelerar o processo de resolução em matar-se uma vez que pode-se perguntar que Deus é esse que vê meu sofrimento e nada faz. Não penso assim, mas em absoluto condeno ou mesmo julgo quem pensa.
A dor, o pranto, seja por uma filha que se perde, seja por um amor não correspondido, só pode ser medida por quem a sofre. E sempre temos aqueles chavões prontos do tipo "bola pra frente", "a vida continua", um amor se cura com outro" entre outras parvonices. Só eu sei a dor que me dilacera e muitas vezes ela é tão profunda, tão cortante, que continuar a viver é apenas prolonga-la.
A vida pode te oferecer muitos tipos de lenitivos para a dor, mas a maioria deles não passa de uma espécie de ópio que amortece em alguns momentos e se usado novamente e novamente vai sempre requerer uma dose maior para fazer efeito, tal qual as drogas reais.
A vida é ensolarada para muitos, já para outros é como se vivessem no centro de uma floresta fechada onde o sol chega em raios quase mortos. Eu não consigo repetir idéias de auto ajuda e me contentar com elas e muitas pessoas também não conseguem, porque sempre queremos mais da vida.
Na mente do suicida, talvez o ápice da vida, seja a morte. E a ideia, por mais disparatada que seja hoje em dia tem minha total simpatia.
É isso, ao menos por hoje, é isso.
Ouvindo: Janet Paschoal
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