As vezes
As vezes o céu é uma mistura de cinza com negro. Mas em algum momento ele se abre novamente e o Sol que de qualquer maneira sempre esteve ali se mostra resplandecente. As vezes brigamos com pessoas que amamos, mas as vezes também, e menos do que deveríamos, exercitamos o nosso perdão, ou melhor ainda nossa humildade e pedimos perdão.
As vezes, alguém que amamos muito morre. Em seguida, alguém que amamos igualmente tem a dádiva da vida e se torna pai ou mãe e essa alegria nos contagia. As vezes desejamos não estar vivos e passado um certo tempo estamos mesmo sem perceber agradecendo ao Pai a oportunidade de estarmos vivos, realizando coisas, convivendo com pessoas, essas mesmas mesmas pessoas que em algum momento irão morrer, irão ter filhos, irã nos magoar e irã nos alegrar.
É inevitável passarmos por momentos turbulentos e mesmo que eles nos magoem profundamente, eles passarão. Nada, mal algum dura para sempre, a eternidade pertence única e exclusivamente ao nosso Deus e ele nos oferece vive-la em um futuro próximo. Enquanto estamos aqui, podemos apenas rir e chorar e rir de novo e chorar mais uma vez, mas se temos a certeza que a eternidade está ao nosso alcance, se temos a esperança baseada numa fé firme como a rocha, baseada em Cristo a nossa Rocha, o choro, a tristeza, nos são apenas momentos de introspecção que passarão quando Ele enxugar toda a lágrima de todos os seus filhos e confortar os corações que sofrem e mais do que confortar, banir de vez o sofrimento de nossas vidas.
A estupenda música de Daniela Araujo "milímetro" diz que "como um milímetro de um segundo é a minha existência no mundo", ou seja, nada. Mas por mais verdadeira que seja essa afirmação inclusive sobre a luz evolucionista que prega um jundo bem mais velho do que de fato ele é, não é assim que nos percebemos. Setenta anos em média como expectativa de vida, embora seja pouco para quem vive é o mais perto da eternidade que se é possível chegar até agora, uma vida que alcança seu ápice em sua metade e depois vai lentamente se esvaindo, escorrendo pelos poros, roubando beleza, vitalidade, inteligência, e nos mostrando a cada olhada no espelho que somos finitos, que nada, que dinheiro algum mudará isso.
Neste espaço de tempo sofremos, muitas vezes mais do que somos felizes, brigamos com pessoas amadas, brigamos connosco mesmo e isso tudo nos tira a chance de ter uma vida plena. Sim, eu creio ser possível ser pleno mesmo vivendo os anos que dispomos para viver. Nossa vida na verdade deveria ser uma preparação para a eternidade que nos é prometida por Deus através de seu filho Jesus, mas na verdade o que fazemos na maioria do tempo é cuidar de nossos próprios interesses seculares que mudam a todo momento , que nos fazer sempre estarmos mexendo em nossas metas, sempre buscando mais e mais por algo que nos satisfaça. Não que eu ache errado a busca pela satisfação, eu mesmo a busco constantemente, mas o que nos satisfaz contribui para o nosso crescimento?
Percebo cada vez mais que a vida é muito preciosa para ser desperdiçada com bobagens, com motivações vãs, e que a máxima "viver 100 anos em 10" é um dos pensamentos mais destrutivos que podem existir.
As vezes, eu me sinto triste, as vezes eu me sinto derrotado, frustrado, sem forças pra continuar. As vezes eu olho para mim e vejo uma pessoa desprovida de beleza física, de inteligência, um ser medíocre, em suma. Mas ai, eu olho para quem me criou e me ama como eu sou, olho para tudo que ele me proporcionou e proporciona, mesmo sem eu merecer e a esperança e alegria me dominam novamente e tal qual a mais bela música de Amy Grant eu tenho o sincero desejo de apenas ter o "Olhar do Pai"
É isso.
Ouvindo: Ami Grant My Father´s Eyes
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