Pro-Choice X Pro-Life

Nos EUA Pro-Choice é a forma com que se denomina o grupo que luta pelo direito das mulheres em escolher ou não levar uma gravidez adiante. Veja, a tradução é "Pro-Escolha" porque é disso que se trata: O direito de escolher o que fazer ante uma situação muitas vezes desesperadora para as mulheres.

Já os Pro-Life, "Pro-vida" assumem com seu rótulo que o outro grupo seria na verdade Pro-Death, ou "Pró-morte" o que não é o caso. Entre o direito de escolher e o ato consumado existem muitas camadas de sofrimento, angústia, lutas internas e talvez a opção seja pela continuação da gravidez.

Não concordo jamais com o aborto como método contraceptivo mas reconheço que se ele fosse legalizado seria essa a principal causa dos abortos não só aqui como em qualquer lugar do mundo. Transou de forma irresponsável? Vamos a clínica do Dr Fulano e ele resolve...

Não é este o tema que quero abordar hoje até porque quem lê este espaço, ou seja, ninguém, sabe que sou a favor do aborto. Sim, repito, sou Adventista do Sétimo Dia com muito orgulho, mas as leis são feitas para a população como um todo e não são para as pessoas da minha fé, então, o melhor seria ter o aborto legalizado e menos meninas morrendo nas mãos de açougueiros.

Quero falar aqui da feliz decisão dos Ministros do STF que autorizaram agora de forma final o aborto para fetos vitimas de Anencefalia, ou seja, quando ele não desenvolve o cérebro e a parte superior do crânio e ao nascer, em questão de minutos ou horas morrerá.

Se eu fosse pai de um feto com anencefalia, conversaria com minha esposa e certamente levaríamos a gestação até o fim, pois cremos em um DEUS que tudo pode e o milagre da cura deste feto para ele não seria nada de extraordinário. Mas que direito tenho eu de impor essa fé as pessoas? Minha fé serve para mim e o quanto eu puder dissemina-la eu de fato vou, o quanto eub puder gritar que Cristo salva, é vida, e quer resgatar os pecadores eu gritarei, mas existem pessoas que não compartilham e não compartilharão jamais de minha crença, e, levando em conta que o estado é Laico, não tem denominação Cristã, Islamica, Budista, Afro-descendente ou o que quer que seja que possa colocar sua fé a frente da racionalidade de uma decisão que afetará a vida de um País como um todo.

Mesmo porque esses ardorosos "Cristãos" gritam contra o aborto do conforto dos seus lares e nunca passaram pela tristeza de carregar uma "gravidez-funeral" por 9 meses. Só quem passa por situação semelhante sabe a dor que vai carregar pelo resto da vida.

E existe um detalhe importantíssimo: Se o casal, ou a mulher solteira que tiver uma gravidez deste tipo for cristão ou de alguma outra religião que a faça ter fé o suficiente neste Deus maravilhoso em que eu creio, ela jamais recorrerá ao que a lei lhe garante por direito (o aborto do feto) e sim a sua fé e poderá experimentar o milagre da cura se for da vontade do Altíssimo ou se resignar com uma perda e encontrar o conforto também NEle.

Existe infelizmente em pleno sexo 21 uma tendência a misturar a religiosidade de cada pessoa com as decisões que o Estado tem que tomar para todos os seus cidadãos. Não dá certo e nunca vai dar, pois o Estado só funciona sendo Laico e tendo autonomia para decidir o melhor para seus cidadãos segundo a consciência dos que foram eleitos para isso.

Pro-Life x Pro-Choice essa "briga" que deveria ser debate civilizado e descontaminado de ideologias, ainda vai dar o que falar.

É isso.

Ouvindo: Leonardo Gonçalves

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