Esperança
Eu posso morrer amanhã. Na verdade eu posso morrer em 15 minutos. Você que está lendo, também pode. Mas a gente acha que não vai acontecer conosco e na verdade essa espécie de negação é vital para a nossa sanidade, pois viver obcecado pela ideia de que se vai morrer é um fardo pesado demais.
Mas e quando uma espécie de sentença de morte na forma de um câncer agressivo se instala? ou Uma outra doença incurável qualquer toma o corpo de alguém condenando essa pessoa a uma morte quase certa? A vida não se tornaria então um contar de dias faltantes para a morte? Como viver assim? Sabendo de forma cristalina que a morte está na ante-sala da nossa vida pronta a nos tragar?
E se existem filhos pequenos? Esposa, marido, pessoas por quem daríamos a vida e que não queremos de forma alguma ver mortas, estão ali agora sofrendo pela nossa própria morte que se aproxima de forma inescapável, com reagir diante de tal situação?
Com esperança. É, com esperança. Com esperança de que as palavras de Jesus, que nos prometeu vida eterna e em abundância, em um lugar onde não mais vamos chorar pela perda de nossos queridos é real e não demora a tardar. Com esperança de que os que ficam cuidaram de nossos queridos mais achegados. Que nossos filhos cresceram e formarão suas próprias famílias e elas serão felizes e plenas em amor. Esperança de que talvez tenhamos feito a diferença na vida de ao menos uma pessoa e que nossa conduta por mais errática que tenha sido, tenha trazido amor em algum momento e que nossa própria impotência perante a morte, nosso mais terrível e até aqui invencível inimigo, nos mostre que viver deve ser um ato de amor. Amor para com o próximo, para conosco mesmo, para com, quem nos ama e sobretudo para com quem nos odeia.
Sim, amor para com quem nos odeia. Esperança que essa pessoa se cure do ódio e seja uma pessoa que venha a transbordar amor apenas, pois o amor é tudo o que importa. Sem amor nossa vida é tão vazia, tão sem sentido, e quando somos confrontados com a morte ao menos da forma em que ela se torna um pouco mais real a cada dia só nos resta dar valor ao que realmente merece valor de nossa parte.
Nossa vida pode ser uma sucessão de erros, mas nunca serão tantos erros que não possam ser perdoados por Deus e por quem sofreu a consequência de nossos erros. Se pedimos perdão a DEUS e a quem ofendemos com tais erros, nos esvaziamos do mal e deixamos espaço para a bondade e sobretudo o amor de Deus nos preencher.
A morte não pode ser encarada como um fim em si mesma. Ela é apenas um sono, um sono do qual nós despertaremos transformados em novas criaturas, criaturas que creram na promessa de nosso Senhor Jesus Cristo de que se fossemos fiéis até a morte ganharíamos uma coroa da vida.
Tenho medo de morrer sem fazer tudo o que gostaria, sem me retratar com todos os que ofendi, de não deixar claro os meus pontos de vista que ficaram obscuros por algum motivo. Tenho medo de deixar as pessoas que amo sem um amparo, sem um norte, mas sei que se eu crer na esperança que Jesus me dá, aqui e agora, eu serei chamado apenas para um sono transitório.
É isso.
Ouvindo "With Hope" Steven Curtis CHapman
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