E tenho que me render a Cauã Reymond

"Avenida Brasil" a despeito de seu início altamente promissor já caiu na vala comum das novelas em que os personagens perdem todo e qualquer senso de ridículo, se embrenham e situações sem sentido, e os atores que já são de medianos pra ruins (salvo alguns poucos), tem que lidar com a falta de estofo do texto e tentar se virar com as asneiras escritas pelo autor. Mas nem tudo é perdido em "Av Brasil". Ela tem servido para a consolidação de um talento que finalmente desabrochou: Cauã Reymond. Lindo como um deus Grego Cauã consegue imprimir incrível verosimilhança a um personagem altamente inverossímil e não precisa andar sem camisa o tempo todo para se fazer notar. Ao contrário de atores que já estão velhos demais pra aprender alguma coisa além de andar camisa como Marcos Pasquim, para ficar em um patético exemplo, Cauã busca novela após novela se firmar como um ator na acepção da palavra. Claro que ainda está distante de Selton Melo ou Wagner (odeio Renato Russo) Moura, mas tempo é o que lhe sobra para lapidar seu talento já claro. Precisaria fazer teatro a sério e alguns bons filmes que lhe dessem uma versatilidade maior, mas desde já pode-se dizer que em "Avenida Brasil" Cauã se torna um ator que vale a pena ser acompanhado de perto. Quanto a novela em si, virou um amontoado de bobagens que fazem Adriana Esteves aqui e não fez nada gritar cada vez mais alto, Murilo Benício desfilar sua cara de eterno aborrecimento, Marcos Caruso se divertir (e me divertir) as pampas, Heloisa Perisse mostrar que é atriz mas não tem obviamente um texto a altura de seu talento e a insossa da Eliane Giardini mostrar que talvez, e eu disse talvez, tenha um pendo até então escondido para a comédia. Sobre a protagonista falar o que? Débora Falabella não é nem bonita, nem boa atriz, então o silêncio sobre sua performance é o melhor que posso oferecer. Menções ainda a sempre competente Vera Holtz que diante de um texto que não lhe oferece margem para manobra tem que ficar bradando chavões cretinos toda vez que entra em cena. É isso. Ouvindo: Madredeus

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