O lance do Jesus menino
Imagine que você é o dono do mundo. Literalmente o dono, já que o criou com suas ordenanças. Imagine que você detectou um bug na sua criação. alguma coisa não saiu como você planejava, embora isso já estivesse dentro de suas previsões e a correção do erro já estivesse planejada para caso ele de fato acontecesse.
Agora imagine que essa correção demandasse considerável esforço pessoal, na verdade, um esforço quase sobre humano e indo mais longe na sua imaginação, pense que refazer todo o projeto agora sem defeitos, seria incrivelmente mais simples. O que você faria?
Bom, Jesus se fez menino. Se limitou a um útero humano por nove meses, se colocou aos cuidados maternais de Maria que embora mãe zelosa e amorosa era falha, aos cuidados de um pai que teve que aceita-lo em meio a dúvidas, e teve que crescer sob seus ensinamentos e proteção. Um ser humano protegendo o Príncipe do Universo? É, exatamente isso.
Por que? Porque refazer o seu projeto significaria exterminar uma raça recém criada, a raça humana. Significaria também impor-se pela força, pelo medo e Jesus não se impõe nem por um nem por outro.
Não vou entrar no mérito do erro de design, no bug enfim, porque isso se aceita pela fé e a explicação para tal "erro" só me será revelada no céu. O fato é que Jesus se fez humano, mas o mais impressionante é que se fez menino antes de ser homem.
Você já parou pra pensar nessa época da vida de Jesus? Uma criança, que foi moldada em caráter e personalidade por Maria e José e mesmo sendo o próprio criador deles, se fez submisso a autoridade de seus pais.
Sem questionamentos, sem rebeldia, sem palavras amargas, Jesus se mostrou um filho modelo, que entendia e aceitava que seus pais lhe educassem da forma que achassem mais adequada. E maria? sabendo-se mãe do filho do Rei, certamente teve que se colocar totalmente em seus braços e sob sua mais estrita direção para conseguir dar cabo de uma tarefa que quando me pego pensando não consigo sequer dimensionar o tamanho.
Jesus deve ter tido cólicas, dor de ouvido, dorzinha nas gengivas ao romper os primeiros dentes, febre, gripe, vontade de comer um doce a mais, sofreu enfim tudo o que qualquer ser humano sofre em sua infância. Era filho de uma família humilde, sem posses, sem muito conforto, e mesmo não acreditando que tenha passado privações materiais, não erá o que se possa chamar de um menino abastado. Será que ele olhava para o céu no meio da noite e pensava em ordenar aos seus anjos que lhe trouxessem toda a sua glória de volta? Veja que assim o fizesse seria imediatamente atendido.
Mas o Jesus menino sabia que se preparava para ser o Salvador da humanidade. E mesmo menino tinha plena consciência que não poderia falhar. Muita responsabilidade? Sem dúvida, mas por amor ele a tomou para si. Mas esse menino, que como todo menino de sua época e de todas as épocas deve ter brincado, se divertido, nadado em lagos, corrido atrás de alguma coisa que despertasse seu interesse, se tornou um homem.
Antes que sua mãe Maria se desse conta, se tornou um homem. Um homem que fez multidões o seguirem, que escolheu 12 para serem sua força tarefa. Um homem que destemidamente expulsou comerciantes que vilipendiavam o templo, a casa de seu Pai, que expulsou demônios, curou doentes, fez os cegos verem, os paralíticos andarem. Um homem como nunca houve até então e nunca haverá sequer parecido.
Muitas vezes visto de forma errônea como um ícone pop, como um revolucionário (embora a sua maneira tenha sido sim um reformista), alguém que é exemplo de rebeldia. Como pode não? Jesus, esse menino que se tornou homem e morreu pelos nossos pecados, que libertou não apenas os Judeus mas todo e qualquer que aceite seu sacrifício das garras do pecado e do mal, não era um rebelde, era antes alguém que tinha prazer em seguir as leais, com a diferença que queria segui-las de forma correta, não fazendo-as valer apenas quando era de seu interesse e da forma que melhor lhe adequasse.
Jesus se fez menino, esse lance para mim é muito louco, pois poderia ter vindo adulto, poderia ter pulado esse tempo todo, poderia ser visto como um estrangeiro ou mesmo um Judeu que ficou na dele até a idade adulta, mas não, viveu cada fase da vida de um ser humano assim como eu e você e passou pela mesmas angústias pelas quais passamos, com os mesmo riscos de falhar, exceto pelo fato de que tinha uma vida de comunhão plena com o Pai desde muito pequeno e isso sim era o que libertava das garras do mal e nos mostra que podemos ser assim também.
Maria, sua mãe, teve sim papel fundamental nisso tudo e criou um menino que quando se fez homem, mais do que a orgulhar como toda mãe espera, salvou também a todo que nele crê, dando a oportunidade de uma vida eterna ao seu lado.
É isso.
Ouvindo: Cântico de Maria, do poeta Stênio Marcius, interpretado por João Alexandre
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