Sou filho de nordestino, logo, nordestino sou

Toda a família de minha mãe vem de uma cidade chamada Pesqueira, em Pernambuco. Não é o que se pode chamar de família pequena, já que são 20, os irmãos de minha mãe. Hoje a grande maioria está instalada no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e uma parte menor aqui em SP. Mas não é da minha família que vou tratar nesse post. Quero falar do orgulho de ter minhas origens em uma região do Brasil que mesmo sendo a mais pobre e extremamente atrasada, com índices de desenvolvimento que mais lembram os índices africanos em algumas de suas regiões, tem um povo que batalha sem medo pela vida e corre atras do seu sustento com dignidade e curiosamente alegria. Porque o povo nordestino via de regra é alegre. Não se abate com as adversidades, antes luta com todas as suas forças contra elas, quer sejam as impostas pela natureza, quer seja as colocadas pela classe política dominante que é o que o nordeste tem de pior. Pessoas que perpetuam a pobreza em seus redutos eleitorais fazendo de reféns o sofrido porém valente povo do nordeste e usando-o como massa de manobra para enriquecer ainda mais, distribuindo apenas migalhas de quatro em quatro anos. O nordestino migrou em grande parte, ajudou a construir o colosso chamado São Paulo, trabalhando na construção civil e em áreas como o comércio, prestação de serviço e tantas outras. Hoje já tem raízes fincadas aqui de tal forma que existem mais nordestinos em SP do que no Piauí, Sergipe e alguns outros estados da região. É uma história sofrida, construída com suor e preconceito, mas também com uma determinação incomum. Mesmo em meio a todos os problemas e mesmo com todos os políticos que tentam manter o nordeste como uma área atrasada e pouco ou nada desenvolvida o nordeste nos presenteou com alguns dos mais importantes ícones de nossa cultura como Luís Gonzaga, Dominguinhos, Jorge Amado (aqui citado única e exclusivamente por Capitães de Areia, único livro dele que presta), Gilberto Gil, todos os cordelistas que mantém até hoje a viva a tradição dos cordéis, uma das expressões mais vibrantes da cultura nacional, todos os repentistas, enfim, o nordeste é um mix de cultura e alegria que faz o nosso país mais bonito, mais solar, um lugar melhor pra se viver enfim. O nordestino, mesmo o que mora a mais de 30, 40 anos em SP, no RJ, ou em qualquer outra parte do Brasil, leva consigo sua origem e não a esconde de forma alguma, mesmo porque o seu sotaque inconfundível não o permitira faze-lo, mas é o orgulho de ser nordestino que o mantém de cabeça erguida, lutador e feliz em qualquer parte de nosso país continente. Me orgulho de minhas raízes, me orgulho e muito de ser filho de nordestino e consequentemente nordestino ser. Amo as prais de Fortaleza, Natal, Maceió e me lamento profundamente quando ao passar pelo Maranhão contemplo a pobreza africana produzida por anos e anos de desmandos das Oligarquias Sarney\Cafeteira, que destruiu um Estado rico em cultura, história e povo. O nordeste merece pessoas sérias, que se comprometam com seu desenvolvimento real, precisa fugir do populismo de figuras que embora carismáticas como Miguel Arraes em Pernambuco e Antonio Carlos Magalhães na Bahia fizeram apenas perpetuar a pobreza com ações paliativas que se alegram a população por alguns momentos, a longo prazo se revelam de uma ineficácia gritante, contribuindo para que o nordestino continue, embora em ritmo bem menor a migrar em busca de uma melhor colocação. Sou nordestino e me orgulho disso, sou filho de uma região que congrega pessoas lutadoras, felizes, com uma garra incomum e que lutam sempre até o fim buscando o melhor para si e para os seus. É isso Ouvindo: Luís Gonzaga

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