O monstro que há em mim

De vez em quando ele ataca. Por mais que eu queira me livrar dele, ela está sempre a espreita. Pronto pra encorporar em mim e me fazer dizer e ter atitudes odiosas. Não entendo bem porque acontece, mas sei que não há desculpa cabível, é revoltante e me faz um mal tão terrível quanto a quem é vítima desses acessos. Tenho um lado muito doce. De verdade. Mas tenho também um lado ultra mega violento, explosivo e inexplicável, que me faz gritar, berrar, socar paredes ou outros objetos que estejam a mão e me faz também eventualmente socar algum pobre diabo que cruze meu caminho no dia e hora errados. Me orgulho disso? Não. Mas ainda não consegui me livrar disso. Quando um acesso de raiva desses tipo passa me sinto mal, me sinto arrasado, e hoje, depois de ter mais um por causa da recusa de uma atendente de hipermercado em me ceder sacolinhas plásticas para embalar minhas compras, e arremessar longe alguns potes de iogurte que obviamente se quebraram numa cena ao mesmo tempo patética e sem sentido, eu me pergunto novamente: Por que? Existe um monstro dentro de mim e eu luto com ele. Luto e tenho ganho algumas batalhas, quem me conhece a fundo sabe que tenho engolido muito mais sapos do que costumeiramente fazia antigamente, mas as vezes fracasso fragorosamente como hoje. Gritei com uma moça que na verdade estava em treinamento, nem uniforme tinha, coitada e não merecia a atitude torpe que eu tive. Gritar com alguém que não tem como se proteger e arremessar objetos a esmo é fácil quando se trata de uma operadora de caixa, mas eu deveria ser homem mesmo e fazer isso contra o Anderson Silva, ou o Vitor Belfort, quem sabe assim as coisas ficavam um pouco mais equilibradas e depois de ser colocado pra dormir eu aprendesse a ser gente? Como posso me proclamar cristão e sair berrando com pessoas que se estão na frente de atendimento sem o devido treinamento não é por culpa delas e sim por culpa do empregador? Devia eu ir ao edifício sede do Casino e espancar o chefe que recursos humanos, não com uma pessoa que segue ordens e tem medo de perder o emprego por causa de miseras sacolinhas plásticas que nem fariam diferença pra embalar minhas compras. Lugar comum colocar a culpa no stress do dia a dia, porque na verdade minha atitude foi a de um covarde, de alguém que esquece que tem uma filha pra dar exemplo, que tem esposa ( que estava ao lado, vermelha de vergonha plenamente justificada) que esquece que se diz cristão e age como um ser brutal, irracional e vergonhosamente canalha. Não voltei para pedir desculpas, não olhei sequer para trás, tão certo estava de minha "razão" em explodir com alguém que leva a vida com todas as dificuldades possíveis e imagináveis, para ficar calada, absolutamente calada diante de tamanha humilhação a qual eu covardemente a submeti. Me sinto envergonhado. Envergonhado de dizer que sou uma coisa e agir de outra forma, de não dar exemplo, vergonha de existir na verdade, porque pessoas que agem como eu agi não fazem a menor falta em um mundo já tão repleto de violência gratuita e sem sentido. Amanhã voltarei a o mercado e vou pedir desculpas sinceras a essa pessoa que nem sei o nome mas que não merece passar por tamanha situação embaraçosa por causa de uma pessoa que no limiar de seus quarenta anos ainda não aprendeu a domar seus extintos mais primitivos. Hoje, apenas uma palavra cabe para me definir? O horror, o horror! É isso Ouvindo: Sandi Patty

Comentários

Flávio Camargo disse…
Sinto orgulho de você por sua sinceridade!
Parabéns Miranda, que você permita que Deus te molde cada dia!

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