E então eu me dei conta...

Assistindo ao Fantástico agora, eu me dei conta de uma coisa: Não tenho um nome que me defina. Davi, é meu primeiro nome, escolha de minha madrinha, já que minha mãe, alcoolizada como sempre queria Dario, (arghhhhh!!!). Miranda é o nome da família da minha mãe e Rocha, é o nome do marido da minha mãe que achou que seria o mais bacana do mundo por me registrar. Não foi, já que nem gostar de mim gostava, muito pelo contrário. Mas ao ver os pais biológicos entregando as certidões de nascimento de seus respectivos filhos com seu nome, me dei conta de outra coisa: Nunca, jamais serei uma pessoa plena. Um pai é um norte, uma bússola, uma referência que te guia e te ajuda e te aconselha e te faz entender que a vida não é exatamente como você pensa e te dando orientações te coloca no prumo. Obviamente quem me conhece sabe que "no prumo" não é uma característica que pode ser atribuída a mim, mas enfim, a vida não é fácil mesmo e tenho que seguir do jeito que dá. Sou pai mas nunca fui filho. Isso é perturbador para mim. Sabe, se meu pai tivesse morrido, blz, azar o dele e meu, mas sei que está vivo, sei que teve outros filhos, e sou obrigado a me perguntar no que eles são melhores que eu, para que eu não mereça um único "oi", uma presença no dia dos pais, um telefone dizendo algo que me permitisse gravar a sua voz. Meus registros nunca são de rostos, mas se escuto uma voz, eu gravo de primeira. Se eu ouvisse a voz do dito cujo, eu já seria mais feliz, pois poderia registra-lo em mim, mas não tenho como fazer isso. Me sinto uma pessoa tão inferior, mas tão inferior que dói no peito de uma forma tão avassaladora, tao intensa, que as vezes eu preferia não ter o poder de pensar, de me perceber como ser humano que existe. Por que meus irmãos merecem abraços, carinhos, afetos e eu não? Eu tive que me virar praticamente sozinho na vida e não acho que me dei tão mal assim, até campeão de vendas com troféu e tudo eu fui na minha empresa, pai. Sei que é besteira isso, mas será que eu não merecia um "parabéns"? Ainda que falso, eu ficaria feliz. Eu já tive a dor da perda, já tive a alegria do reencontro, tudo isso em ser tratando de ser eu, um pai e me acho que saio bem, sabe? Mas como filho, quem sou eu? Um completo fracasso não? Eu amo alguém que nunca quis falar comigo, me sinto um otário por conta disso. É isso. Ouvindo: Elvis Presley

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