Eu Gosto
Eu gosto de Melancia. Não da mulher, uma feiosa que se acha, mas da fruta mesmo. Tempos loucos são esses em que uma fruta vira sinônimo de mulher e mulher de conduta duvidosa.
Eu gosto de ouvir o barulho da chuva quando estou dentro de casa. Me acalma, me faz refletir sobre o cuidado de Deus com seus filhos, ainda que imerecido. me faz perceber que não aceitar a obra da criação Divina como explicação racional para o mundo é um direito que qualquer um tem, mas não cabe para mim.
Eu gosto da minha profissão. Afinal, me alimento, me visto, pago minhas contas com o fruto do meu trabalho. Mas não sou um ser bovino que baixa a cabeça e caminha, eu realmente gosto do meu trabalho, me sinto feliz a cada dia que acordo e me arrumo para vir até ele. Sinto-me privilegiado de fazer algo que eu gosto tanto e ainda receber para isso.
Eu gosto de artes em geral e música em especial. Uma obra de arte, seja qual área artística que ela se situe, é uma expressão não só da sensibilidade do ser humano, mas principalmente de sua humanização. Nos separa dos demais animais, nos coloca um pouco menor apenas que o Deus que nos criou, abre e amplia o horizonte de quem a produz e de quem a contempla, nos da senso de unidade de pertencimento a um determinado grupo de pessoas que apreciam a mesma coisa. Nos coloca no mapa do nosso mundo em algum lugar mais especifico.
Eu gosto de comer. Talvez eu não me relacione tão bem com a comida como eu deveria. Mas gosto da fruição que um bom prato de massa me proporciona, do visual de uma travessa de arroz com aquela fumacinha escapando aquele cheiro entrando narinas a dentro. Comer me faz definitivamente feliz.
Eu gosto, por motivos óbvios, de sexo. Não requer muita explicação a menos quer você viva no Universo bizarro de Mitsuplic.
Eu gosto de conversar com meus poucos amigos. Posso varar uma noite numa boa conversa. Gosto de recordar momentos passados, projetar situações futuras, de me sentir amando as pessoas a minha volta e obviamente me sentir amado. Amigos nos fazem pessoas melhores.
Eu gosto de algumas outras coisas, não muitas. Não sou uma pessoa de muitos amores, de flertar com tudo e achar absolutamente tudo bacana. Na verdade acho quase tudo absolutamente desnecessário e aborrecido. Pessoas, na sua maioria são aborrecidas, sem sal ou açúcar, sem algo que instigue um conhecimento mais aprofundado.
Quem me conhece, sabe que quando uso a palavra gostar é mais do que simplesmente achar bacaninha. Minha intensidade, meu mercurialismo me impede de simplesmente "gostar". Sem intensidade, sem entrega, nada me interessa muito.
Sei que o que eu gosto ou deixo de gostar não interessa a ninguém mas foi sobre isso que decidi escrever hoje então, tá escrito.
É isso.
Ouvindo: Agridoce
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