Minha busca

Hoje pela manhã (e também agora) estava ouvindo uma canção que é uma das minhas favoritas de Mr J.Cash "Heart of Gold". Música é u troço que cada um entende como quer, porque mexe especificamente com a emoção e o entendimento que cada pessoa tem sobre aquilo que está ouvindo e está canção sempre mexeu comigo primeiro pela interpretação cheia de emoção de Cash, mas também pela sua letra. Ele diz que ele viveu até ali pra acha um "Coração de Ouro". Eu entendo que ele buscava alguém que tivesse pureza, bondade, que fosse bacana enfim, que fosse diferenciada e ele reafirma "Eu estou envelhecendo". Incrível mas neste mundo louco mundo em que vivemos, podemos simplesmente morrer sem achar o tal coração dourado. Ele diz que cruzou oceanos atrás disso e viveu como um garimpeiro buscando essa tal pepita, mas ele estava envelhecendo e nada. Triste não? Mas esquecendo Mr Cash e pensando em mim, percebo que esta também é em boa parte a minha busca de talvez seja a busca e todos nós. Um coração de ouro, um coração que extravase bondade, bons sentimentos, que seja reconhecível a distância, que enfim acalme nossa existência. Acontece que depois de ouvir 2300x essa música hoje. (Acredite, não foi 2300 mas chegou perto pois desde as 9:00 não escuto outra música) E ao ouvi-la, percebi o egoísmo que essa letra contém e que permeia toda nossa vida. Vivemos pra buscar pessoas legais, que nos acrescentem, que possamos ter prazer na companhia, que a gente olhe e diga "Puta cara bacana!!!" Mas o que oferecemos? Quem somos, ou melhor quem sou eu? O que de fato eu tenho a oferecer em troca deste coração dourado que eu quero tanto? Nada. E eu percebo que quando J.Cash diz que esteve em Holywood e também em Redwood, além de ter estado em sua própria mente, para além da rima que as cidades proporcionam, ele poderia ter estado em qualquer outra cidade, país ou mesmo planeta. Sem um coração que seja primeiramente de ouro dentro de nós mesmos, não podemos pleitear algo assim para nos satisfazer. Colocando de outra forma, é fácil querer o que é bom e agradável e oferecer apenas aquilo que a gente quer oferecer e ainda cinicamente dizer que é o melhor possível. Quantas vezes eu fui o melhor que eu poderia ser? Pouquíssimas. Na verdade eu sempre suo o que eu quero ser e nada além disso. Ser bom, ser bacana, não é ao menos para mim tarefa fácil. Renunciar ao que eu quero e a forma que eu quero me portar é extremamente duro, porque é muito mais simples e mesmo mais agradável ir até certo ponto da estrada e dele ficar contemplando até onde poderia se ter ido. Uma jornada rumo a um coração puro, de ouro, requer o auto conhecimento que talvez eu não queira ter, porque olhar pra dentro e ver quem se é de verdade, ver que no máximo tenho um pedaço de carvão no peito, não uma pepita de ouro é algo até desumano de se saber, então se a gente consegue conviver com o "melhor' que temos a oferecer por pior que isso seja, já está de bom tamanho. A excelência é um padrão que poucos tem coragem de chegar e muitos ou quase todos exigem das outras pessoas. Meu coração de ouro não existe e talvez exatamente porisso mesmo eu não consiga enxergar nos outros o que eu busco, porque essa jornada deveria ser interior, deveria me levar aos meus mais profundos reconditos antes de mais nada. Talvez um dia eu chegue lá. Ou não. Mas se não chegar, não posso me ter por inocente. É isso. Ouvindo: Heart of Gold J. Cash

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