O Ditador, ou porque Sacha Baron Cohen fez uma comédia romântica

Não tinha muito pra onde correr não é mesmo Sacha? Fazer o que? Seu rosto globalmente conhecido não ia colar mais para fazer perguntas insultuosas seja a Americanos, Judeus, Europeus ou Brasileiros. Se bem que Brasileiros eu não sei, já que a distribuidora do filme nos considera um bando de analfabetos funcionais e fez muito mais cópias dubladas que legendadas me obrigando ao suplício de assistir ao filme com um dublador de voz cretina. Primeiro fato curioso: Ben Kingsley parece meio constrangido em cena. Se eu fosse um ator de sua envergadura, também ficaria. Se "O Ditador" fosse outro petardo desconsertante de Sacha, eu ficaria orgulhoso em fazer parte, mas a comediazinha romântica perpetrada por ele vai ser nada mais que uma nota de rodapé no curriculum do Big Ben. O filme em questão é um apanhado de lugares comuns desenvolvidos de forma muito desenxabida. Claro, as piadas estão todas lá, com Judeus, Árabes, Americanos e elas são boas. Eu me rachei as pampas, mas é como se estivesse vendo um programa tipo "Zorra Total" escrito por redatores que prestam, ou seja, você ri, ri de novo, e quando sai do cinema já esqueceu porque riu tanto e se sente até meio idiota. Em particular o discurso final do personagem de Sacha é revoltantemente ruim! Um amontoado de lugares comuns sem pé nem cabeça que desagua numa xaropada sentimentalóide que faz parecer "E ai, comeu?" uma obra de arte. Eu acho particularmente que Sacha tinha sim, alternativas para manter seu público achando que ele não é um total idiota e tem algum tutano, mas enveredou pelo caminho simplista de fazer um ditador de um país de ficção da África parecer alguém que tem coração. O Chinês homossexual e Megan Fox interpretando a si mesma como prostituta, além de Edward Norton saindo do banheiro com o tal Chinês sem dizer palavra mas com o olhar que tudo revela são o que preta de verdade neste filme. Dá pra ir assistir "O Ditador" e dar risada se a intenção é só essa. Se busca um pouco de incorreção política e uma critica minimamente ácida ao poder estabelecido esqueça, Sacha Baron Cohen é totalmente mainstream, no que isso pode ter de pior. É isso. Ouvindo: Kalhed

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