A força da literatura

É sempre bom esclarecer, sou cristão, Adventista do Sétimo Dia com orgulho. Contudo, não leio apenas Bíblia, que sim considero o melhor e maior livro de todos os tempos e nem apenas o Espirito de Profecia de Ellen White que considero de suma importância. Digo isso porque quero falar sobre a importância da literatura na minha vida. Ler é essencial, é a força motriz do meu coração. Ler é o que abre meus olhos, o que me faz ser uma pessoa que pensa, que aceita todos os pontos de vistas existentes mesmo sem concordar com a grande maioria. Ler me torna plural, me torna uma pessoa muito mais apta e entender as mudanças que se sucedem no mundo todo o tempo o tempo todo. Não concordo entretanto que é melhor ler literatura ruim do que não ler nada. Você por acaso pegaria um carro sem freios porque é melhor dirigir um automóvel do que andar a pé? Então... A leitura pode abrir canais de entendimento que muitas vezes achamos que não temos. Pode nos motivar a descobrir em nós mesmos, sentimentos que nenhuma rede social ou jogo de consoles ultra poderosos podem revelar. É uma experiência pra se viver a sós, uma chance de nos conectarmos conosco, uma introspecção que nos faz emergir mais forte e mais inteligente. Sim, a leitura nos dá um ganho intelectual visível e inegável, alargar nossa capacidade de raciocínio antes de mais nada. Fui uma criança muito introspectiva. Pensava que se minha própria mãe não gostava de mim, ninguém mais gostaria (um pensamento que ainda me acompanha as vezes), mas me refugiava nos livros que minha progenitora providenciava. E, verdade seja dita ela tinha bom gosto. Mrs Dalloway aos 11 anos me fez perceber as diferenças entre as pessoas e principalmente aceita-las. Ler, Frankstein, aos 11 ou 12, não me lembro bem, me fez entender o que a dor de nunca, jamais ser aceito significa e me fez tentar ter um espirito de aceitação irrestrita. Li também "As Meninas" de Lígia Fagundes Telles aos 8 anos e reli aos 13 e com 15 finalmente percebi a riqueza da escrita elegante de Lígia, seu rebuscamento libertário, sua busca pela frase perfeita, entendi o que é ser um esteta da escrita. Cecília Meireles e Cora Coralina me fizeram chorar tanto... Suas poesias sempre lindas, sempre ternas, sempre emocionais e emocionantes me fizeram amar a poesia com todas as minhas forças. Claro que escritores homens também me fizeram viajar em suas palavras e ler Saramago em minha adolescência me fez uma pessoa grande, uma pessoa que entende que o belo não está na boniteza, e sim, na força de se expressar e se expressando tocar o outro. Ler me fez entender as músicas que escuto, as obras de arte que vejo, os filmes que assisto. Me fez perceber que tudo em uma obra de arte é recheado de referências que permeiam a vida de quem elaborou tal obra e então saber sobre essas referências proporciona um entendimento mais rico do que o artista pretende comunicar. Ler me faz feliz essa é a verdade. Ler é uma alegria da qual nunca abrirei mão. É isso. Ouvindo:Jorge Camargo

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