Blade Runner encontra "Conexão", música de Daniela Araujo
Eu estava ouvindo "Conexão", da Daniela Araújo (especificamente a versão do Nova Semente), e me dei conta de algo profundo: por mais que eu tente me esconder de Jesus para praticar meus atos pecaminosos, quando finalmente O encaro, é exatamente o que acontece: eu olho para Ele e entendo tudo o que se passa dentro de mim. Sem que Ele diga uma palavra, sem apontar o dedo ou zombar, apenas com Seu amor e ternura, compreendo que errei e que necessito de perdão. Percebo que existe uma consciência que me aponta o caminho certo, e ela provém d’Ele.
Meus erros poderiam ser evitados se eu simplesmente não desviasse o olhar; se mantivesse o foco em Sua graça. Quando peco, não o faço por inocência. Conheço bem as consequências e sei onde elas me levarão: cada vez mais longe de Deus. Sei, também, como poderia ter evitado cada falha. Se ainda consigo manter essa conexão, é porque talvez ainda exista uma mínima esperança para alguém tão obstinado no erro como eu. A esperança, como diz a canção, é que o amor do Pai me guie. É, honestamente, a única chance que tenho.
Ontem revi um dos meus filmes favoritos: Blade Runner (a versão do diretor, claro, e não aquela versão estúpida do estúdio que arruinou o clima da obra). Há um diálogo icônico entre Roy, o replicante que sabe que vai morrer, e o seu criador. Roy pede desesperadamente por mais tempo de vida, e o engenheiro diz não ser possível. No afã de conseguir esse tempo extra, Roy sugere alterações em sua própria configuração, mas cada sugestão é rechaçada pelo mestre, pois cada mudança apenas o mataria mais depressa. Em desespero, Roy assassina seu criador, apenas para morrer pouco depois.
Deus nos criou para sermos perfeitos e eternos. Nós pecamos e nos tornamos finitos e imperfeitos, tal qual o replicante Roy. Mas, ao contrário daquele criador limitado que nada podia fazer por sua obra, o nosso Deus — em vez de nos reprogramar — "reprogramou" Seu próprio Filho. Jesus se tornou homem para morrer em nosso lugar, devolvendo-nos a capacidade de sermos eternos. Basta aceitarmos a "vacina" da vida eterna, que é fazer d’Ele o mestre de nossas vidas.
Toda vez que peco, preciso do Seu perdão para me tornar puro novamente, e Ele o concede prontamente, quantas vezes forem necessárias, pois me ama além da minha compreensão. No fundo, não passo de um replicante pecador com data de validade já conhecida e, para meu desespero, essa data se aproxima. Mas, por outro lado, tenho a chance dessa conexão direta com Jesus, que me permite ter a esperança de viver eternamente ao Seu lado. A escolha é minha — e somente minha.
É isso.
Ouvindo: Daniela Araujo
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