Courageous
Eu queria bater menos de frente. Queria ter muito, mas muito mais paciência do que eu tenho. Queria que as pessoas olhassem pra mim e gostassem, de primeira, sem ter que me conhecer pra gostar. Tem gente que a gente olha e diz: Que pessoa mais gente boa! Assim, do nada, a pessoa consegue comunicar que é legal e pronto. Eu não. Falho miseravelmente no quesito marketing pessoal. As pessoas me acham chato, pra dizer o mínimo e quer saber? Elas tem razão.
A gente vai vivendo e aprendendo e ontem a noite, assistindo "Courageous" (é incrível como fazem um filme melhor que outro, só podem ser guiados por Deus, gostem os fundamentalistas religiosos ou não) o novo filme dos irmãos Kendrick aprendi mais uma lição importante sobre minha pessoa: Tudo o que vivo, tudo o que critico, toda a minha rabugice com o mundo, toda a minha busca por uma "inteligência" superior, toda a minha ânsia por me destacar, meus comentário pretensamente brilhantes, minha obsessão por escrever, tudo enfim o que faço para chamar a atenção de forma consciente ou não tem um objetivo: Fazer o meu pai me amar.
É meio ridículo e pode parecer psicologia de botequim, mas faz todo sentido pra mim. Realmente eu to pouco me lixando pra o que pensam a meu respeito, pouco me importando com o mundo a minha volta. Se todas as pessoas do mundo morressem em uma hecatombe nuclear tenham certeza que não choraria por de 7 ou 8 no máximo e sei que choraria porque num cenário desses só as baratas sobreviveriam, então pessoas como eu, que são poca coisa melhor que elas teriam chance de enfrentar o inverno nuclear que se seguiria.
Eu tenho uma esperança boba que uma das pessoas que não conheço no meu facebook seja um perfil fake do meu pai que o fez só pra me espionar e ver se estou e comportando bem. E ai as vezes fico com medo de ele ter acessado este blog e ter lidos textos em que o espicacei. Espero realmente que entenda que foram momentos de dor e desespero em que precisava jogar fora toda mágoa e raiva que sinto por ter sido abandonado. Não são portanto palavras que queiram verdadeiramente magoar meu Pai, longe disso, eu queria apenas poder lhe dar um abraço.
Pode apostar que mesmo sendo uma pessoa extremamente egoísta eu trocaria 10 anos da minha vida futura por um abraço do meu Pai. Meio insano né? O cara nem quis me conhecer e mesmo assim eu o amo cegamente. Só posso estar louco, mas é isso que sinto.
Vendo o filme ontem, que não contarei em hipótese alguma mas recomendo de forma categórica, pude perceber a diferença que faz um pai presente na vida de seus filhos. Eu não queria na verdade que meu Pai me amasse, sei bem quem sou e como isso é difícil, mas queria apenas que ele fosse meu companheiro. Se ele gostasse de pesca eu até iria pescar com ele por mais idiota que ache uma pescaria e talvez até passasse a gostar. Eu tenho quase certeza que minha vida seria muito diferente se meu Pai tivesse me dado o ar de sua graça em algum momento.
Essa dor que levo comigo e que de tão cronica já se transformou em parte de mim, a dor de ser abandonado, ela me embaça a visão sabe? Eu me pego muitas vezes em comportamentos absolutamente sem sentido comportamentos que crianças de 10 anos não tem mais, porque meu Pai nunca me instruiu a parar de te-los. Você que lê pode achar que eu deveria racionalizar agora que sou um adulto, pai e que mesmo tendo ainda pouco contato me sinto cada dia mais avô do Miguel, filho do Alex, tenho a obrigação de me comportar bem e saber como devo agir. Juro que eu tento. Juro! Mas é difícil.
Eu sei que meu Pai não dá a miníma para mim e nada que eu faça vai mudar isso, mas fico emotivo quando vejo filmes como Courageous e dai acabo chateando as pessoas que se dispõe a ler neste espaço com este tipo de texto mequetrefe. Me desculpe. Mas amar tanto alguém que nunca vai te dar a menor bola é algo muito triste, muito dolorido e sobretudo me faz achar cada dia com mais convicção que falhei e falho todos os dias da minha vida no quesito afeto. Não sou digno do afeto de ninguém e claramente me saboto quando percebo alguém que rema contra a maré e decide gostar de mim. Faço alguma merda pra deixar logo claro que não sou digno disso e que o melhor é me deixar de lado. Nisso sou um sucesso, o índice de aproveitamento beira os 100%.
A vida as vezes pode ser esmagadoramente triste com agora ela está sendo para mim. Sei que amanhã será um novo dia, mas mesmo assim, ele não me trará a pessoa que mais queria ter ao meu lado. Nunca, jamais ocorrerá tal fato em minha vida e pensando bem, talvez eu mereça isso e muito mais. Sim, este texto começou com a firme intenção de ser uma resenha de "Courageous" o maravilhoso filmes dos Kwndrick brothers mas acabou sendo mais um lamento aborrecido sobre uma questão a qual ninguém se importa por tão pessoal que é.
Me desculpe se você chegou até o fim deste texto e está aborrecido. Mas as vezes a dor é tanta que preciso escrever para não explodir.
É isso
Ouvindo: J. Cash
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