"Há mas era só um travesti"
Não sou advogado (ainda bem!) mas não sou idiota também. Sei muito bem que a constituição Brasileira não diz que o Estado é responsável pela segurança apenas do héteros sexuais, mas de toda a população brasileira.
Sei também que para a grande maioria desta mesma população, Gays e travestis não são cidadãos, são uma excrecência que a sociedade tem que tolerar. Uma pena essa linha de raciocínio, afinal gente é gente independente da opção sexual mas cada um pensa como quer também.
Fato é que algumas pessoas não podem pensar assim, ou pedem pensar mas não agir como se assim fosse sob pena de tornar o mundo mais injusto do que já é e fomentar ainda mais o ódio a quem é diferente e tem todo direito de se-lo.
Hoje assistindo a um jornal matinal vi a triste notícia que nesta onda de violência que assola São Paulo um travesti de 17 anos tomou um tiro na coxa. Na mesma hora aparece uma entrevista irresponsável com um homem que diz a frase que dá título ao post "Há mas era só um travesti". Como se dissesse "Há era só um cachorro!", como se travestis e cachorros merecessem a mesma falta de atenção e cuidado por parte dos seres humanos ditos "normais".
Me lembrei então de outro período de nossa história que fez a mesma acepção de pessoas. Na época do Nazismo. Na Europa se viam comércios em muitos países em especial Alemanha e Itália que tinham pendurados em suas fachadas frases com os seguintes dizeres " Nesta loja é proibida a entrada de Judeus e cachorros". Ora, equiparar os Judeus aos simpáticos cachorros nada mais era que uma forma de humilha-los sem dó da mesma forma que fazemos hoje no Brasil e em muito lugares do mundo com os Homossexuais, porque nós que não somos, somos "normais" temos o direito de humilha-los até a exaustão e achar que se tomam um tiro, é um mal muito menor, ou nem se quer um mal, seria ruim se fosse com um hétero.
Não consigo deixar de me indignar com este tipo de pensamento. Gostaria de conseguir, mas não consigo. Gays, travestis, lésbicas ou qualquer outra coisa que parece ser "anormal" são antes de mais nada pessoas e pessoas que merecem respeito, amor carinho e tratamento igual ao que eu tenho e você também quando buscam amparo legal, ajuda médica ou qualquer outra coisa que seja necessário a intervenção do Estado.
O estado na verdade deveria trata-los de forma diferenciada sim, mas com um olhar de misericórdia e ajuda, já que são constantemente ofendidos em instituições privadas e mesmo pelas pessoas em geral.
Homossexuais são pessoas como eu e você será que um dia entenderemos isso?
É isso
Ouvindo: Tim Maia
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