O dia em que quebrei o rádio de minha casa
Eu devia ter no máximo no máximo uns 10 anos. Estava me preparando para ir para a escola, eu tinha que esperar a perua no portão pra adiantar e minha avó quer tinha o nefasto hábito der ouvir o programa do Eli Corrêa, na Rádio Globo ou Capital, sei lá, estava ouvindo com o rádio de casa o tal do Palhacitos Corrêa.
Pois bem, quem lê aqui, sabe como sou quando a questão é música. Sou passional, embora a passionalidade seja um traço meu em todas as horas. é que música me tira do sério mesmo e tinha uma música, que nem é tão boa assim, muito xaroposa quando ouvida hoje sob a perspectiva do conhecimento que acumulei, mas que na época era eu ouvir e mesmo sem entender patavina do que ela dizia, chorar. Amava esta música aqui:
Bom, minha mãe conseguiu sei lá como pra me agradar um LP do New Edition e eu podia ouvir a hora que eu bem entendesse e eu ouvia mesmo o tempo todo, chateando, mãe, avó, vizinhos, gato, cachorro mas enfim, eu ouvia o tempo todo. (Esse parágrafo ficou medíocre, ruim mesmo, mas to com preguiça de refazer, só pra deixar claro que sei quando escrevo coisas ruins).
Pra encurtar a história, eu tinha acabado de almoçar estava penteando o cabelo quando o Elielson Correia Dentada começa a tocar "Is this The End". Corri em direção ao rádio, aumentei o volume e comecei a cantar junto com a pronúncia perfeita que havia adquirido de tanto ouvir. Do nada, absolutamente do nada, o trouxa tira a música e diz " Só mesmo a Relojoaria Suissa (a grafia é essa mesmo) pra me fazer tirar essa música linda e falar das alianças em ouro 18kilates... blá, blá, blá"
Fiquei fora de mim!!!! Enlouquecido de raiva, acho que foi a primeira vez (de muitas que viriam depois) que tudo ficou branco, eu não via nada, apenas o martelo que eu sabia onde estava. Catei o martelo e comecei a martelar o rádio com fúria, faíscas saiam, pedaços voavam e segundo minha vó relatou depois eu gritava que Elinaldo Correta tinha que morrer e eu seria a pessoa a mata-lo. Claro que a velhinha ficou em estado de choque e lembro-me de minha mãe chegando em casa neste instante e ao ver o rádio destruído e eu com o martelo na mão apenas pediu o martelo de volta e me colocou na perua para eu ir a escola.
Penso que se minha mãe tivesse buscado ali um tratamento a base de terapia para mim eu estaria melhor emocionalmente do que estou hoje. Na verdade ela apenas comprou um rádio novo e proibiu minha vó de colocar o Eli Corrêa pra ser ouvido dentro de casa. O mais engraçado é que depois deste fato eu simplesmente não ouvi mais essa música, deixei o disco de lado e me apaixonei por Disparada de Jair Rodrigues.
Não sei exatamente porque relato esta história aqui, mas enfim.
É isso
Ouvindo: Após quase 30 anos New Edition
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