O rebaixamento do Palmeiras e o que ele nos ensina

O Palmeiras vai ser rebaixado a segunda divisão. Isso é eminente. Torço para que não, mas é questão de tempo infelizmente. É do jogo, paciência. Minha vida vai continuar inalterada e se fosse Santos, time para que torço, minha vida continuaria inabalada. Não quero falar aqui da falta de planejamento do time alviverde nem dos jogadores medíocres quer ele tem que fazer ser justa essa queda. Quero falar sobre o que esse rebaixamento revela sobre nossa própria personalidade. Ao menos ao meu ver. Vivemos em uma sociedade tão impregnada pela política do "eu" que isso afeta até nossa forma de ver esportes, seja ele futebol ou qualquer outro. A essa cultura individualista se soma um caldo de ódio que nos faz inconscientemente desejar o mal seja de pessoas, seja de times de futebol pra ficar no exemplo do Palmeiras. Claro que é ridículo desejar o mal explicitamente para uma pessoa em uma rede social. Você tem que ter muita coragem ou ser muito covarde pra tanto, mas canalizar o ódio ou raiva, de o nome que quiser para um time de futebol acaba sendo aceitável, já que um time de futebol é uma entidade que congrega torcedores anônimos não uma única pessoa. Só que esquecemos que esses "anônimos" são pessoas como nós e por mais que o futebol seja desimportante, Milton Neves o idiota comentarista esportivo cunhou um aforismo genial, a saber: "O futebol é mais importante das coisas sem importância". Ora, sendo assim percebido pelo povo, tripudiar sobre quem está por baixo gera um caldo de ódio ainda maior, sem perceber fomentamos a raiva alheia e deixamos de lado o bom senso momentâneo, pois uma coisa é você bagunçar com seu primo Palmeirense dentro de seu circulo familiar ou de amizade, outra, bem diferente, é jogar em uma rede social essa pequena pílula de ódio, pois é disso que se trata, uma pequena pílula de ódio. Sem querer, ou querendo mesmo passamos a ser percebidos como fomentadores do ódio entre torcidas que tanto mal já fez a diversas famílias com mortes estúpidas e sem necessidade, co brigas que causaram dor, prejuízos entre outros males desnecessários e que poderiam ser evitados. Veja que cada post que se coloca em uma rede social fala um pouco de quem somos. De nossos gostos, desgostos, de nossas ideias e ideais e sobretudo do que vai dentro de nosso coração. Ingenuidade pensar que quando falamos sobre futebol pela sua falta de importância a post perde em nitidez de imagem sobre nós, na verdade ele até amplifica essa nitidez uma vez que mostra que não, não somos essa pessoa bacana que toda hora posta coisas louváveis e interessantes, temos também um lado sombrio que se compraz com o mal alheio porque é disso que se trata, ver o mal alheio, afinal não zombamos de ninguém pra sermos bacanas ou pra fazer o bem e sim pra atingir onde dói. Se atingimos onde dói e nos comprazemos disso, que tipo de recado estamos passando? Que somos os mais inteligentes com nossas tiradas fantásticas ou que temos uma pendência a machucar quem quer que seja para que o nosso próprio momento de prazer seja amplificado ao máximo? O Palmeiras vai cair, ou pode por milagre se salvar. Ninguém vai zoar se for a Portugues, o Figueirense, times sem expressão. Isso é só mais uma prova que queremos o mal não de qualquer um, mas dos que nos incomodam mais. Jesus, nos ensinou o contrário, amar aos que nos ofendem, mas o futebol tem o condão de nos fazer um pouco mais irracionais sempre que deixamos que ele tenha um valor maior do que o que ele realmente tem e eu que vos escrevo faço isso muitas vezes. Não estaria na hora de repensarmos se isso vale realmente a pena? É isso Ouvindo: Tim Maia

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