Jesus, Alegria dos Homens

Não, ele não nasceu no Natal. Ao menos não em 25 de Dezembro. Ele se perde a cada ano de forma mais triste em meio a presentes, campanhas publicitárias que insistem em nos vender o que não precisamos comprar, a falsidade generalizada que acomete boa parte das pessoas que se sentem premidas pela necessidade de ser bacana única e exclusivamente no Natal. Ele não está embaixo de nenhuma árvore com bolas coloridas, não está dentro de nenhuma meia vermelha, nem tão pouco descerá pela chaminé de meninos ricos e bem nascidos com o seu presente. No natal, Jesus estará onde sempre esteve. A porta do coração de cada um de nós clamando para ser aceito, para entrar, para ter cinco minutos de atenção, para conversar conosco, ouvir nossas demandas, falar sobre o que ele tem preparado para nós. Esqueça a ceia farta que faz salivar nossas bocas e remexer nossos estômagos famintos. Jesus se contenta com pouco, se contenta com atenção tão somente um bocado de nossa atenção. é tudo que ele precisa, é tudo que ele quer de nós, atenção e nada mais. Jesus vai estar ocupado hoje a noite, talvez mais do que o habitual. Vai confortar os desvalidos, vai confortar os sem teto, os presidiários, vai estar onde ele se sente mais feliz, ou seja, com os desesperados e desamparados deste mundo. Vai estar presente nas mesas onde a ceia não será tão farta, onde talvez nada haja, onde talvez só a tristeza esteja presente. Jesus é claro, vai dar uma passadinha ma minha e na sua ceia farta e devemos agradecer a Deus a oportunidade de te-la, mas eu o vejo com um sorrisinho meio amarelo e comendo no máximo uma fruta seca, pois é com os pobres que ele se preocupa mais essa época do ano. Quando ele passar em ossa casa será cm o objetivo de nos convidar a estar com ele. E se aceitarmos o convite, isso quer dizer que estaremos na rua, procurando quem precisa de comida, de amparo, de afeto. Confortando seja com palavras, seja com algo material a quem se sente excluído dessa falsa festa de aniversário que criamos na verdade para cultuar a nós mesmos e nossa capacidade de sermos hipócritas e não a Jesus. Vamos a igrejas, capelas, vamos nos reunir e fazer uma breve oração, vamos relembrar que Ele nasceu em uma manjedoura, que os bois e cabras eram as testemunhas de seu nascimento, mas quanto tempo durará essa reflexão? 10, 15 minutos? Temos pressa pois o amigo secreto nos chama, pois o barulho dos presentes se abrindo parece mais encantador do que uma reflexão sobre o nascimento e sobretudo sobre a morte deste Cristo que nos ama tão profundamente que se ofereceu em sacrifício vivo por nós. Jesus é sim a alegria dos homens embora nós não mais percebamos o quanto ele nos é importante. Temos ainda nossa Bíblia aberta em casa no Salmo 91, temos belas imagens ilustrativas de um Jesus loiro e de olhos claros ( de onde tiraram isso?) temos força de sua pregação que continua viva tanto tempo depois de sua partida de volta ao céu e temos sobretudo a força de seu exemplo. O exemplo de alguém que não se cansava de perdoar, de convidar as pessoas a uma mudança de vida, que acolhia sobretudo as classes menos favorecidas. Que andava com ladrões, cobradores de impostos, com mulheres, quando naquele tempo as mulheres não eram nada naquela sociedade, nada além de parideiras, Jesus as chamava com amor, as recebia. Jesus, alegria dos homens. Não, ele não precisa que você coloque a mesa para ele. Não precisa que você compre presentes, nada disso. Ele precisa apenas que você e eu andemos com ele hoje ele quer ser a nossa alegria, a alegria dos homens de bem, dos homens que entendem o real significado desta festa que se faz tola e mais tola a cada ano chamada Natal. Essa festa que celebra um não aniversário de Jesus, mas que poderia servir sim como um ponto de retorno. Um ponto em que desapegados de toda a nossa ambição, egoismo, vaidade desmedida, toda a nossa luta por nós mesmos, por nossos objetivos se transformasse em um serviço ao próximo. Não ao nosso parente ou amigo próximo mas ao próximo que está distante de nós aquele que viramos o rosto quando o vemos, que fazemos cara de nojo, que tapamos o nariz para não sentir o cheiro de suas roupas. Jesus, alegria dos homens espera que eu e você deixemos de lado neste Natal todo e qualquer sentimento que não seja o de amor, paz, e união e que ele possa estar ao nosso lado, não como convidado de nossas mesa farta, mas como convidado de honra em nosso coração. É isso. Ouvindo: Léo Gonçalves

Comentários

Postagens mais visitadas