Uma declaração de amor incondicional a Teresa Salgueiro e um voto de Esperança em Everton Silva

Antes de mais nada essa é a letra. Soberba, e ao mesmo tempo de uma simplicidade que me faz chorar. Quem contar Um sonho que sonhou Não conta tudo o que encontrou Contar um sonho é proibido Eu sonhei Um sonho com amor E uma janela e uma flor Uma fonte de água e o meu amigo E não havia mais nada... Só nós, a luz, e mais nada... Ali morou o amor (amor), Amor que trago em segredo Num sonho que não vou contar E cada dia é mais sentido Amor, Eu tenho amor bem escondido Num sonho que não sei contar E guardarei sempre comigo A voz de Teresa Salgueiro e o instrumental do Madredeus simplesmente enlouquecedor você escuta aqui: Quem contar Um sonho que sonhou Não conta tudo o que encontrou Contar um sonho é proibido Eu sonhei Um sonho com amor E uma janela e uma flor Uma fonte de água e o meu amigo E não havia mais nada... Só nós, a luz, e mais nada... Ali morou o amor (amor), Amor que trago em segredo Num sonho que não vou contar E cada dia é mais sentido Amor, Eu tenho amor bem escondido Num sonho que não sei contar E guardarei sempre comigo A voz simplesmente espetacular de Tereza Salgueiro e o instrumental enlouquecedor do Madredeus você confere aqui: Depois de ler esta letra e ouvir esta interpretação fantástica talvez nada mais deveria ser dito, mas como sou o prolixo man, vamos lá: Gosto de música como quem gosta de respirar, é necessidade, é mais importante que comer, que fazer sexo, que qualquer outra coisa. Levo a coisa a sério demais. Uma música como está é mais prazerosa para mim que um orgasmo e isso não é figura de linguagem (ta bom, é tão prazerosa quanto um orgasmo, mas não menos). Quando uma música consegue te tocar, não importa em que nível, mas quando ela consegue te tirar do lugar comum, te faz parar, refletir, se perguntar como alguém conseguiu tal nível de encantamento e perfeição, ela cumpriu seu papel. Tenho uma técnica para ouvir música. Coloco ela em volume bem baixo na primeira audição. começo a ler um livro que eu goste, ou então ver tv. Qualquer coisa que me concentre enfim. Se ainda sim a música me fizer parar de ler ou desligar a tv e aumentar o volume, sei que para mim ela tem algo diferente, sei que ela mexeu comigo e me fez seu fã. Se ela for ruim, vai ficar tocando lá, sozinha, mas é claro que se for muito ruim, como Michel Teló por exemplo, vou para e dar risada um pouco antes de continuar a fazer o que estava fazendo. "O Sonho" é a música que mais me emociona nos dias de hoje. Paro o que estiver fazendo se ela começar a tocar. Não raro, choro. Como ser indiferente a uma frase que diz "E não havia mais nada, só nos a luz e mais nada"? Como não ficar horas pensando na profundidade poética que existe numa frase curta como essa? Por que eu não tenho inspiração pra escrever algo assim? Por que tenho que escrever só coisas medíocres e sem graça? E mais importante que a letra é a forma de se interpreta-la. Teresa emociona, se coloca como uma interprete tão perfeita e dona da música que ela parece ser "a música" fica difícil para mim, dissociar a pessoa da obra, ela entra dentro, é o personagem, a música está a seu serviço e ela está a serviço da música. São um corpo único e por isso tão inacreditavelmente belo. Vivemos em dias que os cantores não tem compromisso com o que cantam. São produtos, que cantam letras de quinta categoria com um descompromisso assustador para uma audiência avida por porcaria, que quer apenas requebrar o corpo ao som de algum ritmo hipnotizante com letras que não lhes digam nada que não lhes faça pensar ou se emocionar. Vivemos uma era em que a música é vista como uma arte menor, algo que não deve ser levado a sério e onde pouquíssimos abnegados insistem em fazer algo decente. Abrindo um parentese levo muita fé no vencedor do "Ídolos 2012" Everton Silva. Todas as suas apresentações desde a audiência inicial até a grande final, foram padrão "Tereza Salgueiro", guardadas as devidas proporções é lógico pois a voz de Teresa é incomparável. Tem uma textura única, um compromisso com o que faz que poucos cantores tem e uma emoção que transborda a cada audição. Misturei os assuntos, mas a verdade é que estamos carentes de interpretes que nos façam chorar ao invés de ficarmos com vontade de dar socos em sua boca para lhes calar a voz. A música no Brasil e no mundo agoniza, pois não queremos pagar para obte-la, queremos que ela nos venha de graça como se de graça ela fosse produzida (não é). A música agoniza. No Brasil, no mundo, ela agoniza. Quando Justin Bieber, Lady Gaga e outras porcarias do mesmo naipe dominam as paradas é sinal de que a música esta nos extertores e nem nos damos conta. Qual o último cantor ou grupo de real competência técnica e artistica a fazer sucesso retumbante? Madredeus, Tom Jobim, J. Cash, serão lembrados daqui a 20 anos? Temo que sejam apenas página virada na discografia de um mundo que clama por porcarias sonoras que sejam grátis. De minha parte, enquanto eu viver serei um defensor incansável da arte, da música que te emociona e te faz refletir, que te dá algo, que te emociona e acalanta, e que tem que ser cobrada sim, para remunerar de forma decente o talento de quem a compõe e interpreta e para que novos talentos como Everton Silva não fiquem a mercê de programas idiotas como o que o revelou, mas possa receber investimento das gravadoras que deveriam construir a carreira de um artista sem a pressão do sucesso imediato. É isso. Ouvindo: Madredeus

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