Pluralidade (ou de como cada um gosta do que quer, como quer a hora que quer)
Já abordei o tema aqui, mas volto mais uma vez para falar sobre pluralidade de opiniões e comportamento. Deus nos fez plural. Deus nos fez livres para errarmos e acertarmos, para fazermos o que achamos certo mesmo que isso seja errado, para sermos bons ou maus, para termos coragem ou sermos covardes. Deus nos fez assim, plurais.
Mas o que adianta? Vivemos uma época em que a pluralidade é um artigo de luxo. As pessoas fazem questão de tentar impor suas vontades, desejos, rejeitar os pontos de vista alheios como menores ou mesmo inúteis apenas por não coadunar com o pensamento corrente seja individual, seja em grupo.
Ser diferente, é hoje quase que proibido. Veja, as pessoas se aglutinam em grupos de interesse específico exatamente para conviver com pensamentos semelhantes. Sejam igrejas, clubes de leitura, ou enfim, o agrupamento que for, as pessoas hoje buscam o conforto dos seus iguais, não querendo o embate e o debate de idéias. Pensar cansar, dar o braço a torcer é visto como prova de fraqueza, então, estar com quem pensa e age da mesma forma é o ideal.
Eu, por definição sou plural. Busco o enfrentamento de idéias pois quero ser convencido de que as coisas não são exatamente como eu penso, que elas podem simplesmente ter nuances que eu desconheça, que pontos de vistas antagônicos aos meus existem e são mais elegantes que a minha linha de pensamento, eu preciso acreditar que não sei de nada para aprender todo dia.
Não consigo conceber a vida sabendo de tudo e não aprendendo algo novo e principalmente desaprendendo algo que eu tinha como certeza inabalável. Os tempos mudam, os comportamentos são diversos, as culturas se mixam e também se distanciam, são mutantes e não atentar para isso te faz duro e sem perspectiva de acompanhar o mover da sociedade.
Pluralidade, ou a capacidade de aceitar vários pontos de vista e discutir sobre eles faz uma pessoa nobre. Uma pessoa plural é antes de mais nada uma pessoa mais compassiva, aberta ao diálogo, com capacidade de perdoar e se colocar no lugar do outro muito mais elevada do a das pessoas que aceitam apenas a ideia de seu grupo ou pior a sua própria ideia. Ser plural é olhar o mundo com um olhar isento, que aceita que pessoas são diferentes por terem culturas, formação e muitos outros fatores diferentes entre si.
Por sim, ser plural não significa ser sem opinião, muito pelo contrário. Significa apenas que pensar de forma diferente não nos torna inimigos ou pessoas com quem não valha a pena conviver.
É isso.
Ouvindo: J. Cash
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