Do amor que eu sinto ( olha o Brucutu!)
Eu tenho uma clava de Brucutu sempre a mão. Eu grito com as pessoas, eu berro mesmo. Eu soco a parede e eventualmente lanço minha cabeça contra ela. Eu não sei lidar com as pessoas, as vezes nem me sinto digno de conviver com outros seres humanos, porque eu faço tanta coisa errada, eu faço tanta coisa absurdamente errada o tempo todo, que simplesmente é louco o fato de eu ainda estar vivo e nem mesmo ser espancado por pessoas a quem firo com palavras ou atos de vez em quando.
Essa clava que aliada a minha já propalada feiura tanto corpórea quanto facial me fazem realmente parecer com o personagem acima, o tal Brucutu. Eu olho no espelho e penso que o desenhista ao faze-lo teve uma visão de minha pessoa, vejam só: lembrando que o Brucutu é o do meio ok?
Mas eu tenho um amor tão grande dentro do peito que até dói. DE VERDADE. Amor pelas pessoas, pelas árvores, pelos pássaros, pelos meus gatos e os gatos das outras pessoas, pelo asfalto. Sou um ser que ama. Mas amar nem sempre é a solução. Na verdade, muitas vezes pode ser um problema.
Amar, ao menos da forma que eu vejo é não julgar, é se colocar no lugar do outro, é usar de compassividade, de benignidade, é ser enfim, uma boa pessoa. Só que tenho um lado Brucutu tão atuante que além de me impedir de ser bom e usar de sensibilidade, faz com que transpareça que sou mau quase que em tempo integral.
Mas o amor que eu sinto ao mesmo tempo me queima. Me pede pra ser diferente, pra suavizar, pra ter uma forma outra de viver. Sei que por definição somos nós seres humanos contraditórios, mas contradição demais cansa sabe? Eu queria uma constância, uma normalidade que me permitisse viver a intensidade do amor que sinto por todos e me fizesse ser visto como alguém que ama, não como um louco psicopata pronto para assassinar quem cruzar meu caminho.
Não tenho vocação para Dexter ( o da série adulta, não o do desenho animado), e mesmo sendo tão inteligente e brilhante quanto, não quero viver a vida sendo o psico ambulante que sou hoje. O amor que tenho em mim deveria me renovar, deveria me fazer alguém diferente, melhor. Eu quero isso. Cansei de ser reconhecido como o louco, queria ser reconhecido como o amável.
O amor que eu tenho em mim pode me ajudar nesta jornada que exige auto conhecimento e também vontade genuína de ser melhor. Queria fazer acontecer, fazer funcionar, mas sei o quanto é difícil.
Infelizmente o amor que eu tenho em mim hoje não me serve para nada!
É isso
Ouvindo: Antonio Marcos

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