"As Intermintências da Morte" grande livro de Saramago me levaram a reflexão que agora escrevo


Pode ser de câncer. Pode ser febre tifóide. Pode ser também de complicações derivadas da diabetes. Pode ser até mesmo de ataque cardiáco dado o meu peso e sedentarismo, ou pode ainda ser de causas naturais. Isso não importa, o que importa é que eu vou morrer em algum momento.

Não me angustia a ideia da morte, me angustia a ideia de deixar de viver. Eu gosto de viver, com todos os contras, com tudo contra, ainda acho que existam prós o suficiente e pessoas a favor também, para que valha a pena continuar a caminhada. Gosto de acordar e ver o Sol nascer, gosto de ouvir músicas bacanas ao longo do dia, gosto de ler clássicos da literatura 587 vezes repetidas, gosto de uma pancada de coisas que morrer me impedirá de fazer e é ai que mora a inquietude.

Ficar ali, deitadão, morto, inerte, sem saber o que ta rolando, quem vendeu mais apês no mês, que time foi campeão, qual foi rebaixado. Não verei meus netos crescendo ou até verei, mas certamente não verei meus bisnetos, talvez um ou dois bem pequenos, mas os tataranetos certamente não haja visto que me convenci que não sou um Highlander. Não poderei trocar de carro, nao poderei jogar mais futebol e usar minha barriga proeminente para fazer defesas.

Não poderei gritar em momentos de ira, não poderei dar risada até ficar com dor de barriga quando algo engraçado acontecer. Não poderei me emocionar com um gesto simples, não poderei emocionar a mais ninguém também. Morrer será meu útltimo ato e ironicamente nem poderei me arrepender dele.

E a vida vai seguir mesmo sem mim. A vida vai continuar linda e bela, as pessoas continuarão se casando separando, continuarão comendo e bebendo e fazendo sexo ( tai algo que sentirei falta também, ou melhor sentiria caso mortos sentissem algo). Não acredito em vida após a morte então não me anima a chance de voltar a este planeta como outra pessoa, mas se isso existisse e eu pudesse escolher, gostaria de voltar como um gato. Não um cara gato, mas um gato, da família dos felinos aquele bichinho que vive se lambendo, fazendo seu coco em caixinhas de área e come metade do dia e dorme a outra metade e as vezes faz um sexo animal. Seria bacana, mas não vai rolar.

Morrer não deve ser o pior dos mundos, as deve ser triate morrer com sofrimento, sentindo dor, vendo a sua volta pessoas sofrerem por você. No meu caso tudo bem, a minha volta provavelmente com sorte teria o meu anjo da guarda louco pra largar o turno e fazer coisa melhor,  mas eu não queria sofrer pra morrer não e acho que ninguém quer não é mesmo? Em um cenário em que eu pudesse escolher minha morte, ela seria rápida e sem deixar rastros.

Eu pensei uma época em me retirar para longe morrer em um lugar onde ninguém soubesse quem eu sou, mas ai complica, porque eu teria que me mudar ainda em vida e teria que me estabelecer e tals e só de pensar fico com preguiça. Uma morte legal também seria morrer lendo um livro bacana, ou ouvindo minha musica preferida. Mas dai seria tipo um ataque cardíaco creio eu, e ainda que fulminante ele me traria a compreensão de que estou morrendo e eu não queria te-la sabe? Deve ser deveras assustador perceber-se morrendo e eu realmente não to afim disso.

Eu vou morrer, isos é um fato. Não me consola saber que todos vão em algum momento morrer também pois sou goista demais a ponto de pensar só an minha própria morte mesmo. Só não queria na verdade ser transformado em alguém legal depois de morrer, porque eu não sou agora e não curto nem um pouco essa lustrada sem sentido que a morte da na biográfia das pessoas. Morrer não vai ser um gran finale par mim, vai ser um ato corriqueiro, mesmo que seja o último deles.

As vesperas de completar 41 anos, percebo que o que me resta de vida passará rápido, mas tão rápido que posso dizer que minha morte será amanhã, no máximo, depois de amanhã, mas ainda amo a vida demais para me desapegar dela assim com tantanormalidade.

Vou morrer, será amanhã, será daqui a mais 41 anos. Não importa, porque eu vou morrer, e eu queria ficar vivo por tempo indeterminado. Saramago escreveu muitos livros excepcionais, mas "As intermitências da morte" é para mim sua obra prima. Estou relendo-o neste momento e recomendo a leitura para todos que quiserem uma reflexão mais apurada sobre o que é morrer e sobretudo sobre o que é estar vivo.

É isso

Ouvindo: Ira, envelheço na cidade

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