41 anos de existência, alguns de vida
Pois é. Há exatos 41 anos eu nascia. Calma, muitas outras pessoas nasceram neste mesmo dia, não vamos taxa-lo de um dia para ser esquecido por apenas um fato isolado. O fato é que eu nasci em 09/12.1972 e desde então venho caminhando por este planeta. Até quando? Não sei!
Sim, houveram momentos bacanas e outros nem tanto. Como na vida de qualquer pessoa não é mesmo? Não vou fazer um balanço, porque na verdade não me lembro da maioria das coisas que vivi, pois o mundo me é muito chato, sendo que apenas alguns poucos acontecimentos me marcam ao ponto de serem guardados em "caixinhas de lembranças" para serem acessados futuramente.
Conheci pessoas, me relacionnei com elas, me enriqueci com o conhecimento que algumas me proporcionaram, me entediei com a maioria. Fui pai, sou pai, amei, fui amado, fui ignorado, odiado, admirado, fui preciso e fui descartável. Em 41 anos de existência, poucos foram os anos de vida efetivamente, pois existir é uma coisa e viver, outra, bem diferente.
Mas ao menos para mim, não é preciso haver vida em todos os anos da existência. Não dá na verdade. Não tenho está obsessão por ser feliz. A felicidade como lema de vida pode ser bem aborrecida. Muito melhor é viver de forma a estar prontopara aceitar os momentos em que passamos da existência para a vida de fato. E depois ter a grandeza de voltar a existência novamente sem grandes traumas.
Eu, como diz a brilhante música do Madredeus, "sonhei um sonho com amor, uma janela e uma flor.Uma fonte d'agua e o meu amigo". Pra sonhar um sonho desses é preciso ter esses elementos dentro de si. é preciso entender que o amanhã pode vir apenas depois de amanhã e o hoje pode se eternizar numa prisão atemporal de enlouquecer pois se nada acontece de diferente dia após dia, significa que todos os dias são iguais, e se eles são iguais, sempre é Segunda Feira.
A vida não me é larga. São caminhos quase sempre estreitos e com sapatos desconfortáveis, mas isso é viver afinal de contas, e se fosse diferente e houvesse conforto em abundância, talvez menos valor eu daria aos momentos especiais que desfruto. E quando falo de caminho estreito, não falo de privações materiais, mas de emoções. é disso que se trata. Pouco me importo com o carro que dirijo com a roupa que visto ou o perfume que (não ) uso. Mas muito me importo com as emoções, com as pessoas que não estão aqui onde eu gostaria que estivesse, ou as que estão mas não se importam, ou enfim, com todo esse amalgáma de emoções que me fazem o caminho estreito, embora as vezes seja sim largo e confortável.
O que descobri após 41 anos de existência e alguns de vida? Sem dúvida a maior descoberta é que a vida é feita de coisas pequenas. Pequenos carinhos, pequenos amores, pequenos gestos, frases gentis e delicadas que não precisam ser grandes. Mesmo as virtudes não precisam ser enormes. Pequenas virtudes causam grandes efeitos. Pequenos sorrisos, alimentam um coração por anos. Uma frase pequena dita da forma correta ressoa e ecoa por anos na memória.
Eu quero viver o tempo que me resta sentindo e amando e falando e sorrindo e chorando e estando pronto para servir e tudo o mais que eu fizer, não importa, que tudo seja de forma pequena e desinteressada.
É isso.
Ouvindo: Madredeus
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