Um Domingo Qualquer


Hoje é Domingo. Mais um. Um Domingo Ordinário como todos os outros no sentido de não ser extraordinário, não de ser ruim, mas apenas mais um Domingo. Aqui e Alphaville, está nublado. O dia não promete Sol,  as cores não darão sua cara e em Santana de Parnaiba, haverá eleição para Prefeito totalmente fora de data porque houve pra variar, tanta bandalheira que tiveram que tirar o cidadão de antes e colocar outro que seja mais discreto na bandalha.

Quantos Domingos me restam? Quantos imóveis pra vender? Quantos sorrisos? Quantas lágrimas? Quanta água pra rolar na ponte da minha vida? Não sei. Posso me ir amanhã, posso ser agraciado com uma vida ainda longa, embora uma vida longa seja apenas mera ilusão, já que 70, 80, 90 anos,não sejam nada na linha de tempo do Universo.

Vivemos mais ou apenas parece que vivemos mais? Somos todos loucos pro acordar respirando no dia seguinte, planejamos como se houvessem amanhãs infinitos e claro, isso é bom, embora nem tanto, pois pode muito bem não haver amanhã. Passamos periodos longos de tempo sem trocar palavra com alguém por alguma bobagem do passado. Ai a pessoa se vai e lamentamos. Nos falta convicção, porque se ela de fato fincanda em nós estivesse não lamentaríamos quem se foi sem acertar-se conosco.

Mas hoje é Domingo. Mais um. E no andar do relógio, já fazem quatro minutos que despejo palavras e elas já são passado. Não controlamos o tempo. Ele nos controla. Corremos para ele quando moços, corremos dele quando maduros e congelamos nele no último suspiro. O tempo nos domina. Domingos vem e vão, ansiamos por uns, deploramos outros, mas não importa, eles continuarão a acontecer mesmo que desejemos o contrário. Domingos podem ser nossa redenção ou nossa desgraça, mas eles sempre virão.

O tempo nos afeta.  O tempo nem sempre é gentil conosco. Mas também, somos nós gentis com a gerência, ainda que ilusória de nosso tempo? O que fazemos co o pouco de controle que temos sobre ele? A vida  vai fluindo e a gente vai dormindo. A vida vai acontecendo e viver, é morrer um pouco todos os dias. Nossas funções vão sendo gradativamente diminuidas, nossas habilidades vão se tornando menos hábeis nossa compreensão defassada, nossa alegria vai se tornando mera contemplação até que se parece apenas com u vulto obtuso do que era. Não nos lembramos mais do que nos fazia feliz e pior, esquecemos como fazer alguém feliz. Enquanto esse processo todo acontece de forma silenciosa, pois o tempo não se manifesta em palavras, mais Domingos vão se sucedendo.

Hoje é Domingo. Churrascarias estarão lotadas em almoços de famílias  que fazem de ambientes friamente calculados para serem impessoais sua sala de estar, um escapismo regado a comida e bebida, que faz o Domingo correr manso, dando a idéia irreal que ele congelou, mas ao olharmos na janela, surpresa! o Sol, ou a falta dele, se foi e tudo se transformou na escuridão da noite, que ao mesmo tempo que nos assusta, embala nosso sono, ou a falta dele.  Claro que pessoas não irão a churrascarias, algumas nem mesmo terão o que comer, e para essas não faz  diferença se Domingo é ou se é a Quart feira que rola. Tanto faz. O limbo já os envolveu e dias cronológicos são quimeras patéticas na luta pela sobrevivência.

Hoje é Domingo. Abandone suas esperanças, tu que entra! (Dante, em  O inferno)

É isso. Ouvindo Surf in USA

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