Walter Mitty sou eu
Não, nao vou entrar no mérito do grande filme que Ben Stiller fez. Um filmaço diga-se de passagem. Direção segura, atuação mediana e Sean Penn menos de cinco minutos em cena que valem pelo filme todo. Mas sabe de uma coisa? Walter Mitty sou eu!
Quando a vida é aquele fardo quase insuportável, quando respirar te faz ter a impressão de que existem tantas partículas tóxicas no ar que parece que você vai sufocar e morrer, eu sou Wlater Mitty. Eu crio o meu mundo particular, eu embarco nas minhas viagens, eu converso com seres imaginários e me transporto pra mundos ainda mais imaginários e bizarros.
Ser astronauta, o médico que descobriu a cura do cancêr, Ser David Bowie, o cara que fez o gil na final da Copa do Mundo, enfim, quanta coisa realmentr grande pra se fazer na vida e eu sendo corretor de imóveis. Sendo o Miranda. Jura?
Minha mente voa. Cria roteiros inimagináveis, cria livros que ganhariam o Nobel da literatura, mas eu estou aqui, pleno Domingo tentando vender um apto. Frustrante? Muitas vezes sim. Por mais que eu seja um bom corretor ( e eu sou), eu seria um melhor escritor, explorador, qualquer coisa que não me impusesse uma rotina massacrante e me criasse nós na garganta com tanta frequência.,
Walter Mitty é bom no que faz. Eu também sou. Ele tem uma vida secreta recheada de aventuras e ação. Eu não, mas vou providenciar. Fico me perguntando o que falta par que eu começe a viver sabe? Wlater começou aos 42 anos. Eu tenho 41. Falta um ano será? Ou falta coragem, porque vontade eu sei que não me falta.
Eu podia ser David Bowie. Era só acrescentar um "d" no final do meu nome. O problema é que faço sim letras ótimas, nas não consigo escrever músicas que as sustentem. Dai não é música é meio que poesia ou apenas um belo texto. São mulheres lindas as quais faltam o olho esquerdo. São replicantes, nunca seres humanos completos. Sou um Deckard, (que para mim sempre foi um replicante) perciso me tornar humano. Cadê minha Fada Azul?
Walter Mitty sente falta do pai. Eu como Pinoquio, tinha no máximo um Geppeto que era meu avô. Ninguém encastelado no último andar de um edificio atordoantemente alto e opressivo que atuou como meu criador. Nada. Nem mesmo um grilo falante chato e inconveniente a me soprar normas de bom comportamento. Como Walter Mitty, estou por minha própria conta neste momento da vida. Não sou Major Tom, mas poderia ser. Eu gostaria de me livrar da minha "lata" e nela sentar e contemplar as estrelas pra depois me deixar vagar, meio como o personagem de Clooney em "Gravity" feliz pro morrer batendo o recorde de permanência no espaço, o que me faz acreditar que sim, existem coisas pelas quais vale a pena morrer.
Se eu tivesse escrito "Space Oddity" por exemplo e o preço a pagar fosse morrer em seguida, eu aceitaria, pois teria deixado um legado, uma das mais belas canções de todos os tempos. Mas jamais morreria se a recompensa fosse vender uma torre inteira de aptos. Me daria dinheiro, nada mais. Dinheiro não é motivo para se morrer feliz. Eu não realizei nada ainda. Preciso realizar. Vou realizar.
Major Tom to Ground Control...
É isso.
Ouvindo: David Bowie
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