Somos todos macacos? Não, Neymar, não somos


Não, não somos "todos macacos". Não aceito isso. Somos e isso é saudável absolutamente diferentes em nossa forma de ser, pensar, agir. Sentimos diferentes, temos referências de vida diferentes, chutamos uma bola de forma absolutamente diferente, uma música não desperta o mesmo sentimento em duas pessoas pode até ser parecido, mas não igual. Fomos criados para sermos únicos e assim somos, então, não podemos ser "todos macacos".

A atitude do torcedor ao jogar uma banana para Dani Alves foi infeliz. Quis nivela-lo a um bicho irracional. Dani teve presença de espirito e comeu a banana. Deveria ter se retirado de campo, deveria ter dado as costas para aquela torcida composta de pessoas que não raciocinam de forma apropriada e embora cada um possa pensar o que quiser não pode por óbvio que é, destilar ódio racial para o mundo ver.

Dani Alves sabe que se tivesse se retirado do campo teria problemas. Sobretudo problemas financeiros com patrocinadores, com seu clube, com os patrocinadores do seu clube. Mas sabe também que talvez este gesto firme tivesse freado de uma vez por todas a sanha racista que reina no mundo, não apenas na Europa. Faltou coragem a Dani Alves assim como lhe sobrou galhofa. Teria tudo terminado ai se Neymar o "Ostraman" não tivesse lançado uma "campanha" que foi replicada por dezenas de milhares de outros cabecinha de ostra pelas redes sociais. A tal "somos todos macacos".

Não somos, Repito. Somos todos seres humanos com suas diferenças. Não se combate ideias racistas reforçando igualdade. Nivelando as pessoas pelo mesmo diapazão. Somos todos diferentes e as diferenças é que precisam ser respeitadas de forma categórica. As diferenças entre os seres humanos é que tornam os relacionamentos tão ricos, tão cheios de vida. Dizer que somos todos iguais, seja na cor, seja na forma de agir ou pensar é pensar em uma sociedade robótica e sem graça. Exatamente como os racistas gostariam que fosse. Um mundo onde todos são iguais, pensa igual, agem de forma igual e aceitam um governo totalitário que diz exatamente o que cada cidadão deve fazer. é isso que queremos?

Se não é, e espero que não seja, devemos combater veementemente esta ideia estapafúrdia de que somos todos macacos, ou dromedários, ou baleias azuis, ou golfinhos. Somos cada um diferentes e iguais apenas no gênero, não na forma e isso é que é lindo e nos faz únicos. Nossa igualdade advém do fato de raciocinarmos e podermos escolher concordar ou discordar com a opinião que seja, qualquer uma, mas jamais de sermos iguais.

Neymar obviamente é um gênio com a bola nos pés mas um tolo quando emite qualquer outro tipo de opinião. é alguém que não optou por estudar, por ler bons livros, por ter uma cultura privilegiada que o dinheiro poderia lhe proporcionar. Diz platitudes que seus tolos seguidores saem replicando por serem tão ignorantes como ele, mas as pessoas que pensam tem o dever de esclarecer que besteiras como a que ele lançou em sua tola "campanha" devem ser combatidas.

Temos sim que repudiar o racismo embora ele sempre vá existir enquanto houver sociedade organizada. Sempre existirão pessoas achando-se melhores que outras. Sempre existirão pessoas que julgarão pelo dinheiro que alguém tem a mais ou pelo tom de pele mais claro ou escuro. Isso é fato. Sempre existiu e como eu disse sempre existirá. Deve ser combatido, deve ser repudiado pelos homens de bem, deve ser sobretudo punido nos termos da lei de cada país, mas dai a gerar campanhas cretinas vai uma diferença monstro.

Daniel Alves poderia ter abandonado o campo de jogo no momento em que lhe atiraram a banana da discórdia. O que ele fez foi come-la, um ato muito mais virado para o lado da galhofa do que da atitude séria. Teve a chance de ouro, Daniel Alves de criar uma real discussão sobre o tema se tivesse abandonado o campo ali mesmo pela lateral do campo. Sabia no entanto que seus patrocinadores pessoais e os patrocinadores do clube jamais  veriam com bons olhos uma atitude deste tipo. Calou-se então, continuou jogando bola e deixou literalmente rolar e ver no que daria. Não deu em nada e nem vai dar.

Jogadores de futebol são historicamente uma classe desunida e pouco instruída. A grande maioria mal sabe soletrar racismo de forma correta e não consegue fazer a distinção entre racismo e preconceito. Não conseguem entender que seu dinheiro o faz toleráveis para a grande elite Européia ou mesmo brasileira. Toleráveis, não queridos. Estão sempre se unindo ao politico da vez, ao cantor da vez ao bobo da corte da vez. São raros os que raciocinam por si só e dizem coisas coerentes. Esses são mau vistos pela própria massa boleira.

Não somos enfim, todos macacos. Somos diferentes entre nós e essa diferença deve ser saudada como algo positivo, não ao contrário. Tentar fazer com que todos sejam  iguais é a matriz do racismo, afinal todos são iguais e os diferentes podem ser exterminados para higienizar o mundo. Se Neymar e seus parças buscassem ler, se instruir, saberiam desta obviedade e jamais organizariam tolices como este "somos todos macacos".

É isso.

Ouvindo: J. Cash




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